Irã executa homem acusado de espionar para o Mossad
Hossein Pedaran foi enforcado após ser condenado por passar dados sobre instalações militares em Isfahan a Israel durante a "guerra de 12 dias".
Redação Apuramos
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Hossein Pedaran foi enforcado após ser condenado por passar dados sobre instalações militares em Isfahan a Israel durante a "guerra de 12 dias".
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O Irã executou neste sábado (19) um homem identificado como Hossein Pedaran, condenado por espionagem em favor do serviço de inteligência israelense Mossad. A informação foi divulgada pela agência Mizan, vinculada ao Poder Judiciário iraniano.
Segundo a Mizan, a Suprema Corte do país manteve a sentença de morte contra Pedaran, que foi enforcado. Ele foi considerado culpado de fornecer a Israel informações sobre "instalações militares sensíveis" na província de Isfahan, no centro do Irã, além de dados sobre bases de mísseis.
De acordo com reportagem do site indiano The Week, que teve acesso ao processo, as autoridades afirmam que Pedaran agiu por dinheiro. Ele teria tentado, primeiro, vender informações à CIA, agência de inteligência dos Estados Unidos, mas não obteve resposta. Só depois passou a se comunicar com um suposto oficial do Mossad identificado apenas pelo codinome "Ben", por meio de um número de WhatsApp registrado na Holanda.
Ainda segundo o The Week, Pedaran teria enviado relatórios criptografados sobre instalações militares, dados de militares e até números de telefone de esposas de alvos, além de usar um dispositivo de controle remoto para fotografar locais sigilosos e múltiplos chips de celular registrados em nome de terceiros para dificultar o rastreamento. Ele teria cortado contato com os israelenses pouco antes do início do conflito armado entre os dois países e tentado retomar a comunicação, já pelo Telegram, depois que os combates começaram.
O caso está relacionado ao confronto direto entre Irã e Israel conhecido como "guerra de 12 dias", travado em junho de 2025, quando os dois países trocaram ataques aéreos e mísseis. Após o conflito, o Irã intensificou a repressão a supostos colaboradores de Israel: segundo a Al Arabiya, o país já executou ao menos uma dezena de pessoas por espionagem ou cooperação com o Mossad desde então.
A reportagem da Al Arabiya cita a nota oficial da Mizan, que afirma que Pedaran "forneceu ao serviço de inteligência Mossad, de Israel, informações sobre instalações militares sensíveis na província central de Isfahan, e realizou a espionagem em troca de vantagens financeiras". O processo tramitou nos tribunais revolucionários do país, que julgam casos ligados à segurança nacional.
O portal brasileiro Na Hora da Notícia também noticiou o caso nesta sexta-feira, destacando que a pena capital foi confirmada pela Suprema Corte iraniana antes da execução ser cumprida.
A organização Iran Human Rights, que monitora penas de morte no país, registrou cerca de 1.639 execuções no Irã em 2025 — o maior número em anos, impulsionado em parte pela onda de condenações por espionagem após a guerra com Israel. Grupos de direitos humanos e governos ocidentais já criticaram publicamente o uso da pena de morte pelo regime iraniano em casos considerados politicamente motivados, mas Teerã nega perseguição e afirma que os processos seguem o rito legal do país.
O episódio ocorre em meio à tensão ainda elevada entre Irã e Israel, com autoridades americanas avaliando publicamente possíveis novas ações contra o programa nuclear iraniano, segundo veículos internacionais.
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