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Estreito de Ormuz: Irã anuncia acordo com Omã sobre navegação

Teerã diz que rota já foi definida e que declaração conjunta está em fase final; EUA rejeitam cobrança de taxas e mantêm bloqueio naval

Redação Apuramos

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Estreito de Ormuz: Irã anuncia acordo com Omã sobre navegação
Dylan McLeod/Unsplash — imagem ilustrativa

O governo do Irã anunciou nesta quarta-feira (5) que chegou a um entendimento com Omã sobre a rota de navegação no Estreito de Ormuz, passagem por onde circulava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo antes do início da guerra no Oriente Médio. O anúncio foi feito pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, e divulgado pela agência estatal Irna.

"As coordenadas geográficas da rota prevista pelos dois lados foram acordadas e, caso certas terceiras partes não obstruam o processo, a declaração conjunta dos dois países, contendo as principais considerações e pontos de acordo, também se encontra na fase final de revisão e redação", disse Baghaei, em declaração reproduzida pela ANSA. A Bloomberg também noticiou o entendimento sobre a rota proposta.

O porta-voz, porém, ponderou que o passo não torna a via segura para todas as embarcações. Segundo ele, "os fatores que tornam o Estreito de Ormuz inseguro ainda persistem por parte dos Estados Unidos", em referência ao bloqueio naval imposto por Washington a portos iranianos.

Como funcionaria a passagem

Pelo desenho preliminar, os navios entrariam no Golfo Pérsico por um corredor sob controle iraniano e sairiam por outro, sob controle de Omã, com cobrança de tarifas ligadas à segurança da navegação e à proteção do ambiente marinho, informaram duas autoridades regionais à Associated Press, em relato reproduzido pelo InfoMoney. As mesmas fontes, que falaram sob anonimato, ressalvaram que as tratativas seguem em curso e que o texto final pode ser diferente. Elas acrescentaram que qualquer pacto dependeria da suspensão do bloqueio americano.

A Al Jazeera apurou que o arranjo em discussão valeria inicialmente por 60 dias, período em que não haveria cobrança de pedágio, conforme informação do site Axios. O portal catariano também registrou que apenas oito embarcações cruzaram o estreito na segunda-feira (3), contra cerca de 130 por dia antes do início do conflito, em 28 de fevereiro.

O que dizem os Estados Unidos

Washington sustenta posição distinta. Segundo a Al Jazeera, autoridades americanas afirmam que o governo de Donald Trump quer liberdade total de navegação comercial, sem taxas iranianas e sem exigência de autorização prévia de Teerã para a travessia. Um funcionário americano disse à Associated Press que qualquer arranjo temporário não incluiria aval iraniano nem cobranças.

Em declarações reproduzidas pela AFP e publicadas pelo O Tempo, Trump afirmou que as negociações podem ter desfecho positivo ainda nesta quarta-feira, mas repetiu a ameaça de que o Irã será "duramente atingido" caso o estreito não seja reaberto "muito em breve". O secretário de Estado, Marco Rubio, disse na terça-feira (4) que houve "avanços", mas que "nenhum acordo definitivo foi concluído ainda".

Teerã nega negociar diretamente com Washington e afirma tratar apenas com Mascate. Procurado, o sultanato de Omã não havia se pronunciado publicamente sobre o anúncio iraniano até a última atualização da reportagem da AFP. O Catar, que atua como mediador, informou que os contatos diplomáticos seguem, sem previsão de conversas diretas entre iranianos e americanos.

Efeito no petróleo

O mercado reagiu com alívio moderado. O barril do Brent recuava 0,16%, a US$ 79,23, e o WTI caía 0,57%, a US$ 75,35, segundo cotações compiladas pelo InfoMoney nesta quarta-feira.

Relembre o caso

O Estreito de Ormuz voltou ao centro da crise internacional após o início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. Teerã passou a controlar a via, hoje com minas aquáticas, e restringiu a passagem de navios mercantes. Um cessar-fogo firmado em abril e um memorando assinado por Irã e EUA em 17 de junho não resolveram o impasse sobre quem administra a rota e se o Irã pode cobrar pelos serviços prestados — ponto que segue como principal divergência.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Estreito de Ormuz
  • Irã
  • Omã
  • Donald Trump
  • petróleo
  • Oriente Médio

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