O Irã rejeitou a proposta de Omã para uma gestão compartilhada do Estreito de Ormuz e apresentou um contraplano que deixaria a maior parte da via sob controle iraniano, informou nesta quarta-feira (29) um alto funcionário do governo de Teerã à agência Reuters. Segundo ele, a iniciativa omanense "não tem chance de sucesso". O impasse trava a principal frente diplomática da guerra entre Estados Unidos e Irã e coincide com nova escalada militar na região.
Antes do conflito, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passava pelo estreito, que corta as águas territoriais do Irã e de Omã. A via está fechada pelo Irã desde o início da guerra, em fevereiro, e a reabertura prevista no memorando de entendimento assinado com os EUA em 17 de junho nunca foi concluída, justamente pela disputa sobre quem controla o quê.
O que Omã propôs
O vice-chanceler iraniano Kazem Gharibabadi detalhou a proposta em pronunciamento na TV estatal, segundo a Al Jazeera: Mascate sugeriu uma rota de navegação dividida meio a meio — 50% em águas iranianas, 50% em águas omanenses — com contribuições voluntárias dos navios para financiar navegação, proteção ambiental e resgate. O modelo é inspirado no Estreito de Malaca, na Ásia, administrado por Indonésia, Malásia e Cingapura, e teria o apoio de países do Golfo, que discutiram o tema em reunião de chanceleres na terça-feira (28), de acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Catar.
O que o Irã quer
O contraplano de Teerã prevê uma rota inteiramente em águas iranianas e parte da segunda rota também sob seu território, "para que o Irã possa exercer supervisão efetiva sobre o tráfego de entrada e de saída", disse Gharibabadi, citado pela Al Jazeera. Em outras palavras, todo o fluxo de entrada no Golfo Pérsico e parte do de saída ficariam sob controle iraniano, apurou a Reuters. O funcionário ouvido pela agência disse que uma divisão igualitária "não serve aos interesses do Irã" — embora descreva Omã como "vizinho valioso" — e acusou EUA e Arábia Saudita de pressionar Mascate a apresentar "planos irrealistas", relatos confirmados pelo site especializado OilPrice e pelo canal i24NEWS.
Gharibabadi avisou que o estreito seguirá fechado se Omã rejeitar o plano e que não haverá retorno ao regime anterior à guerra, quando navios passavam sem pagar. Teerã teria proposto uma "taxa de serviço" de até US$ 1 milhão por navio — em Malaca, as contribuições voluntárias rendem cerca de US$ 70 milhões por ano, comparou à Al Jazeera o professor Paul Musgrave, da Universidade Georgetown no Catar.
Petroleiros parados e nova proposta na mesa
Nesta quarta, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou ter interceptado e parado três petroleiros que, segundo ela, usavam "rota insegura e ilegal" no estreito, informou o OilPrice. A tensão derrubou as esperanças de trégua: nas últimas 48 horas, o Irã lançou mísseis contra uma base americana na Jordânia, e EUA e Arábia Saudita bombardearam grupos aliados de Teerã no Iraque. O petróleo Brent voltou a superar US$ 90 por barril.
Há, porém, um sinal de saída: segundo a Al Jazeera, Omã estuda uma terceira proposta, com três rotas — uma em águas iranianas, uma internacional e uma em águas omanenses. Fontes do canal em Teerã dizem que o Irã demonstra "alguma flexibilidade". Procurado, o governo de Omã não comentou publicamente a rejeição até a publicação desta matéria.