O Irã trocou neste domingo (9) o comando do Conselho Supremo de Segurança Nacional (CSSN), órgão que concentra as decisões de defesa e política externa do país, no momento em que Teerã mantém fechado o estreito de Ormuz. O major-general Mohsen Rezaei, de 71 anos, que chefiou a Guarda Revolucionária por 16 anos, assume no lugar de Mohammad Bagher Zolqadr.
A substituição foi anunciada pela presidência iraniana e ocorre um dia depois de Zolqadr divulgar seis condições para que a passagem — uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo e gás — volte a operar.
Como foi anunciado
Segundo a AFP, o porta-voz da presidência, Mehdi Tabatabaei, publicou no X que, "em razão da renúncia de Mohammad Bagher Zolghadr do cargo de secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e de sua nomeação para novas funções, o presidente Masoud Pezeshkian nomeou Mohsen Rezaei como chefe deste órgão".
As versões sobre a origem da decisão divergem. A Reuters atribuiu a nomeação ao líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei. A agência iraniana Tasnim informou que Rezaei foi designado ao mesmo tempo representante do líder no conselho e secretário do colegiado. A emissora estatal Press TV afirmou que a mudança foi formalizada por decreto neste domingo e citou a experiência do general na guerra Irã-Iraque como justificativa.
Zolqadr, que ocupava o posto desde março, passa a ser conselheiro político de Khamenei, conforme comunicado do gabinete do líder supremo mencionado pela AFP.
Quem é Mohsen Rezaei
Rezaei foi nomeado comandante-em-chefe da Guarda Revolucionária em 1981, aos 27 anos, e permaneceu no cargo até 1997 — o mandato mais longo da história da corporação, que atravessou quase toda a guerra contra o Iraque.
Depois disso, segundo a Press TV, foi secretário do Conselho de Discernimento por mais de duas décadas, doutorou-se em economia pela Universidade de Teerã, disputou a presidência em 2009, 2013 e 2021 e foi vice-presidente para assuntos econômicos no governo de Ebrahim Raisi. Em 2020, entrou na lista de sancionados do Tesouro dos Estados Unidos. Em março deste ano, tornou-se conselheiro militar de Mojtaba Khamenei.
Ele também é alvo de um alerta vermelho da Interpol pelo atentado de 1994 contra a mútua judaica AMIA, em Buenos Aires, que matou 85 pessoas. Como registraram o Infobae e o jornal Perfil, Rezaei é um dos cinco iranianos tratados como foragidos pela Justiça argentina no caso, que pediu sua captura à Interpol em Moscou e, no mesmo ano de 2022, às autoridades do Catar. Nenhum dos acusados foi julgado, e os pedidos de entrega nunca foram atendidos por Teerã.
O que está em jogo em Ormuz
Em mensagem divulgada no sábado (8) pela agência Tasnim e reproduzida pelo Poder360, Zolqadr apresentou seis exigências para a reabertura do estreito: nunca ameaçar o Irã ou insultar seus valores sagrados; fim permanente da guerra e das agressões ao país e a seus aliados no Líbano, na Palestina, no Iêmen e no Iraque; fim do bloqueio naval e retirada das forças navais e aéreas americanas das proximidades; pagamento integral dos danos causados pelas guerras; fim das sanções; e liberação incondicional dos ativos iranianos bloqueados.
"Enquanto os Estados Unidos não corrigirem seu comportamento, o estreito de Ormuz não será reaberto", afirmou. Ele disse ainda que o CSSN não recuaria de suas posições "nem em tempos de guerra, nem em negociações". A Guarda Revolucionária declarou que a reabertura não está atrelada às conversas com Omã, que atua como mediador entre Teerã e Washington.
O novo secretário do conselho já se manifestou sobre o tema. Em julho, Rezaei declarou que o controle do estreito é "mais importante do que dezenas de bombas atômicas", segundo a AFP.
O outro lado
Até a publicação deste texto, não havia manifestação pública do governo dos Estados Unidos sobre a troca no comando iraniano nas fontes consultadas. A Casa Branca também não havia comentado as seis condições apresentadas por Teerã.