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Jaques Wagner adia depoimento à PF no caso Banco Master

Defesa do senador alega que problemas técnicos impediram o acesso aos autos da Operação Compliance Zero; parlamentar nega irregularidades

Redação Apuramos

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Jaques Wagner adia depoimento à PF no caso Banco Master
Fabian Lozano/Unsplash — imagem ilustrativa

O depoimento do senador Jaques Wagner (PT-BA) à Polícia Federal, marcado para esta sexta-feira (7), não foi realizado. A defesa do parlamentar pediu o adiamento da oitiva sob o argumento de que ainda não teve acesso ao conteúdo do inquérito que apura suspeitas ligadas ao Banco Master. A informação foi divulgada pela Agência Brasil e também publicada pelo Terra e pelo Correio Braziliense.

A investigação corre no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, e é conduzida por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O que diz a defesa

Em nota assinada em Salvador nesta sexta-feira, o advogado Pablo Domingues afirmou que o pedido de remarcação foi apresentado "com antecedência proporcional" à autoridade policial e decorre de falhas no acesso ao material da apuração.

"O pedido de adiamento decorre exclusivamente do fato de ainda não ter sido viabilizado à defesa, por problemas técnicos (todos documentados), o acesso ao conteúdo da investigação, requerido no mesmo ato em que a data foi indicada, há quase um mês", diz o texto divulgado pela defesa.

Segundo o advogado, o senador pretende prestar depoimento, mas só depois de conhecer o que consta nos autos. "Somente assim terá condições de prestar um depoimento verdadeiramente esclarecedor", afirmou Domingues, acrescentando que a defesa não fará considerações sobre o mérito até analisar esses dados.

O que a PF apura

De acordo com a Agência Brasil, a investigação examina a relação de Wagner com o empresário Augusto Lima, apontado pelos investigadores como um dos elos entre o senador e o caso Banco Master. A apuração também trata de suspeitas de vantagens indevidas e de possíveis vínculos entre pessoas do entorno do parlamentar e empresas relacionadas ao caso.

O Correio Braziliense informou que uma das linhas de apuração examina se o empresário teria concedido benefícios ao senador, entre eles um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,4 milhões. Conforme o Terra, a PF investiga possível vínculo entre o núcleo familiar de Wagner e suas empresas com nomes conectados ao caso.

Intimado pela PF em 21 de julho, o senador já havia sido alvo de mandados de busca e apreensão e de medida cautelar que restringe determinadas atividades econômicas, ambas autorizadas por Mendonça.

Segunda oitiva frustrada na semana

Com a ausência de Wagner, este passou a ser o segundo depoimento do caso que deixa de ser colhido na mesma semana. Na última segunda-feira (3), o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro — dono do Master —, também não compareceu à audiência marcada pela Polícia Federal. Segundo os investigadores, foi a terceira ausência consecutiva dele em oitivas previstas no inquérito.

O outro lado

Jaques Wagner nega irregularidades, conforme registrou a Agência Brasil. Em declarações anteriores reproduzidas pelo Terra, o senador afirmou ter certeza de que provará sua inocência na investigação. A nota divulgada nesta sexta-feira reforça que ele pretende falar à PF assim que tiver acesso integral ao inquérito.

Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação pública da Polícia Federal sobre o pedido de adiamento nem definição de nova data para a oitiva. A defesa afirma aguardar resposta dos investigadores.

O Banco Master, hoje extinto, é alvo de apuração da Polícia Federal por suspeitas de fraude, e o inquérito no STF já resultou em medidas cautelares contra investigados do caso.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Jaques Wagner
  • Banco Master
  • Polícia Federal
  • Operação Compliance Zero
  • STF
  • Senado
  • André Mendonça

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