O CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou neste domingo (20) que há "0% de chance" de a inteligência artificial (IA) causar o fim do mundo até 2030. A declaração foi dada em entrevista ao programa Sunday Morning, da CBS News, e chega dias depois de o rei Charles 3º e o CEO da Anthropic, Dario Amodei, alertarem publicamente sobre os riscos da tecnologia.
Segundo o Olhar Digital, que teve acesso ao conteúdo da entrevista, Huang disse que as empresas de IA "devem ir o mais rápido que puderem, independentemente de qualquer outra pessoa" no desenvolvimento de novos sistemas. Ao mesmo tempo, ponderou que a própria Nvidia "não deve lançar produtos inseguros" e que testes adequados são responsabilidade de cada companhia antes do lançamento.
A fala é a reação mais recente de Huang a uma proposta de Amodei que já vinha gerando atrito entre as duas empresas. Segundo a CNBC, o CEO da Anthropic defendeu que os principais laboratórios de IA deveriam coordenar o ritmo em que constroem seus sistemas mais avançados, para evitar que a pressão da concorrência force avanços mais rápidos do que a capacidade de testá-los com segurança. Como esse tipo de coordenação entre concorrentes pode esbarrar na legislação antitruste dos Estados Unidos, Amodei sugeriu que o governo americano concedesse isenções pontuais às regras de livre concorrência para viabilizar o acordo entre as empresas.
Huang rejeitou a ideia publicamente, chamando-a de "completamente desnecessária". Segundo reportagem do site especializado PYMNTS, o executivo argumentou que as empresas já têm responsabilidade e capacidade para testar seus produtos antes de lançá-los, sem necessidade de um novo marco regulatório. O Departamento de Justiça dos EUA, no entanto, sinalizou estar aberto a conversas sobre coordenação de segurança entre os laboratórios de IA.
O debate ganhou um capítulo internacional na quinta-feira (17), quando o rei Charles 3º reuniu executivos de Nvidia, Anthropic, Google DeepMind e OpenAI em Dumfries House, na Escócia, para uma conferência sobre segurança em IA promovida pela Fundação Ditchley. Segundo o jornal The National, o monarca britânico afirmou que "aqueles que criaram essas tecnologias estão cada vez mais alertando que a IA corre o risco de desenvolver capacidades mais sombrias — talvez até tirar vidas" e disse que "as decisões tomadas neste momento formativo vão moldar o mundo herdado pelas próximas gerações".
Foi no mesmo evento, na Escócia, que Huang projetou que as vendas de chips da Nvidia devem dobrar em 2027 na comparação com este ano, impulsionadas pela construção de infraestrutura de IA por governos e empresas ao redor do mundo. Segundo a Fox Business, o executivo disse que, se um produto "não estiver pronto, é melhor segurá-lo" e defendeu que o setor deve ir "o mais rápido possível, mas não mais rápido do que isso" — voltando a associar velocidade de inovação com testes de segurança feitos pelas próprias empresas, sem necessidade de pausar o desenvolvimento.
As falas de Huang neste fim de semana reforçam sua posição de maior otimismo entre os líderes do setor, num momento em que rivais como a Anthropic pedem mais cautela e o rei britânico usa um discurso público para pressionar por regras mais claras. A discussão deve continuar nas próximas semanas, à medida que reguladores nos Estados Unidos e no Reino Unido avaliam se e como intervir no ritmo de desenvolvimento da IA.