O CEO da Nvidia, Jensen Huang, fez na sexta-feira (24) sua primeira publicação no X — e usou a estreia na rede social para divulgar uma carta aberta contra restrições a modelos de inteligência artificial de pesos abertos nos Estados Unidos. O documento, intitulado "Open Weights and American AI Leadership", reúne cerca de 25 empresas, entre elas Nvidia, Microsoft, Meta, IBM, Palantir, Dell e Hugging Face, segundo apuraram Fortune e CNBC.
"Modelos abertos fortalecem a segurança e a cibersegurança, aceleram a inovação e a difusão e viabilizam a soberania", escreveu Huang na publicação, conforme a Fortune. "O mundo precisa tanto de modelos fechados de fronteira quanto de modelos abertos de fronteira."
A carta compara o momento atual ao debate sobre o software de código aberto das décadas passadas e argumenta que "restrições prematuras" repetiriam um erro que, na avaliação dos signatários, quase travou a indústria — o código aberto acabou se tornando a base de boa parte da internet moderna. O texto também defende a destilação, técnica de treinar um modelo a partir das respostas de outro, como prática legítima e antiga de pesquisa, de acordo com a Fortune.
Kimi K3 e a pressão por restrições
O movimento ocorre em meio ao debate em Washington sobre restringir modelos abertos chineses, intensificado após o lançamento do Kimi K3, da Moonshot AI, de Pequim, em 16 de julho. Segundo a Fortune, o modelo figura entre os mais capazes do mundo, e o assessor da Casa Branca Michael Kratsios acusou a Moonshot de usar destilação para copiar um modelo americano, o que acirrou a controvérsia.
Dias antes, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou à Fox Business que o governo examina se modelos chineses contêm propriedade intelectual roubada de empresas americanas e que sanções estão em análise, conforme registrou o site Axios.
"Esses modelos chineses são excelentes"
Em entrevista ao Axios publicada na quarta-feira (22), Huang disse que os Estados Unidos não têm o que temer dos modelos abertos chineses. "Esses modelos chineses são excelentes", afirmou, defendendo que empresas americanas deveriam "absolutamente" poder usá-los. "Não há cenário em que a China tire as empresas americanas do jogo. Possibilidade zero."
O executivo também rebateu a leitura de que modelos abertos e baratos ameaçam o negócio da Nvidia — a chegada do Kimi K3 chegou a provocar venda de ações de fabricantes de chips, lembra o Axios. Para Huang, IA mais barata amplia o acesso e, com ele, a demanda por infraestrutura: "IA gratuita deveria ser ótima para hardware. IA gratuita deveria ser ótima para chips. IA gratuita deveria ser ótima para data centers", disse na mesma entrevista.
Huang argumentou ainda que a abertura torna os sistemas mais seguros, porque permite que mais pesquisadores inspecionem os modelos e corrijam falhas, evitando "um único ponto de ataque, uma única fonte de falha".
Ausências notadas
OpenAI, Anthropic e Google não assinaram o documento, como destacaram Tom's Hardware e CNBC. Segundo a Fortune, OpenAI e Anthropic têm alertado Washington justamente para os riscos representados por modelos abertos chineses avançados.
A revista observa ainda um complicador diplomático: uma semana antes da carta, o presidente chinês, Xi Jinping, reivindicou o discurso da "abertura" e da "cooperação global" em sua estreia na Conferência Mundial de IA, em Xangai — ocupando, a partir de Pequim, espaço retórico semelhante ao que a coalizão americana agora reclama para si.