Apuramos.

Lemos todas as fontes. Você decide.

Sobre
Tecnologia

ONU alerta que IA avançada é "risco existencial" à humanidade

Volker Türk pediu linhas vermelhas acordadas entre países e disse que vai escrever às empresas do setor nos próximos dias. A fala foi feita na 63ª sessão do Conselho de Direitos Humanos.

Redação Apuramos

Publicado em

Google DeepMind/Unsplash — imagem ilustrativa
Google DeepMind/Unsplash — imagem ilustrativa

O Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou nesta segunda-feira (7) que a inteligência artificial avançada pode representar "um risco existencial para a humanidade" e cobrou a criação urgente de mecanismos internacionais de governança para a tecnologia.

A declaração foi feita em discurso na 63ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Segundo o Diário do Grande ABC, com Estadão Conteúdo, Türk defendeu que governos e empresas ajam "antes que seja tarde demais".

"Compartilho as preocupações de pessoas do setor de que uma IA avançada pode representar um risco existencial à humanidade", disse o Alto-Comissário. "Uma IA que escapa do ambiente de teste ou chantageia desenvolvedores para impedir que seja desligada é uma IA poderosa demais."

Cartas às empresas do setor

Türk anunciou que escreverá nos próximos dias às empresas de inteligência artificial para pedir a adoção imediata de medidas de redução de risco. No mesmo discurso, fez um chamado a um "esforço total para estabelecer garantias inquebráveis sobre segurança e proteção da IA".

Ele propôs ainda que os países que hospedam sistemas de IA e os que participam de suas cadeias de suprimentos acordem "linhas vermelhas" comuns. "Precisamos de verificação independente e de colaboração muito mais forte em segurança dentro do setor", afirmou.

De acordo com o Times Brasil, licenciado exclusivo da CNBC, o Alto-Comissário avalia que o poder sobre o desenvolvimento da tecnologia está concentrado em um número pequeno de companhias e executivos. "Um punhado de homens tem poder quase ilimitado sobre a IA", disse. "Falam de liberdade, mas, olhando mais de perto, isso se revela pouco mais do que a liberdade de explorar nossos dados."

Incidentes recentes pesam no alerta

O aviso ocorre depois de uma sequência de episódios envolvendo sistemas de IA. Em julho, a OpenAI informou que seus modelos estiveram por trás de um "incidente cibernético sem precedentes" que afetou a plataforma para desenvolvedores da Hugging Face, conforme registrado pelas duas publicações.

Casos envolvendo outras empresas do setor, como Anthropic e Alibaba, também foram registrados e ampliaram o debate sobre os riscos associados ao avanço desses sistemas.

Para Türk, esses episódios reforçam a necessidade de criar mecanismos de controle antes que a tecnologia chegue a um ponto em que os riscos sejam mais difíceis de administrar.

"Vivemos uma era de extremos"

Na mesma fala, o Alto-Comissário ligou o avanço tecnológico ao quadro internacional atual. "Vivemos uma era de extremos. Guerras devastadoras, polarização dolorosa, caos climático e mudanças tecnológicas vertiginosas fazem com que as pessoas se sintam desorientadas e até impotentes", afirmou.

Türk criticou o discurso de que essas transformações seriam inevitáveis. "Magnatas da tecnologia, populistas e interesses instalados, amplificados por câmaras de eco nas redes sociais, dizem-nos que essas tendências são inevitáveis. Na verdade, é o oposto", disse.

Ele encerrou o trecho com um apelo à mobilização: "A História está repleta de pessoas corajosas que agiram para resistir à opressão e exigir seus direitos".

O que é o Conselho de Direitos Humanos

O Conselho de Direitos Humanos é o principal fórum intergovernamental da ONU dedicado ao tema. É formado por 47 Estados-membros eleitos pela Assembleia-Geral, e suas sessões ordinárias são realizadas em Genebra, na Suíça.

O Alto-Comissariado, chefiado por Türk desde 2022, é o escritório da ONU responsável por monitorar e promover os direitos humanos no mundo. As posições defendidas pelo Alto-Comissário não têm efeito vinculante sobre os países nem sobre as empresas citadas.

Fontes consultadas nesta apuração

  • ONU
  • inteligência artificial
  • Volker Türk
  • direitos humanos
  • regulação de IA
  • tecnologia

Mais de Tecnologia