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IFA 2026: robôs humanoides dominam Berlim e nenhum vende no Brasil

Maior feira de eletrônicos da Europa colocou a robótica no centro da área de inovação, com cerca de 300 estandes. Dos cinco modelos em destaque, só dois têm preço público — e nenhum tem distribuidor no país.

Redação Apuramos

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Gabriele Malaspina/Unsplash — imagem ilustrativa
Gabriele Malaspina/Unsplash — imagem ilustrativa

Os robôs humanoides viraram o principal atrativo da IFA 2026, maior feira de eletrônicos da Europa, aberta em Berlim na última sexta-feira (4) e que segue até terça-feira (8), no complexo Messe Berlin. Nenhum dos modelos em destaque, porém, é vendido no Brasil.

Segundo o portal ANTI/HYPE, que percorreu os estandes, cinco máquinas concentraram a atenção do público: Booster K1, EngineAI T800, AGIBOT A3, PrimeBOT Q1 e Zeroth W1. Apenas duas têm preço divulgado publicamente.

A edição reúne mais de 1.900 expositores de 49 países. Desses, 932 são chineses — quase metade do total. A IFA Next, área dedicada à inovação, cresceu para cerca de 300 estandes e passou a ter a robótica como eixo central do espaço.

Passarela de robôs

O ponto alto foi a atração "Robots on the Runway", realizada no sábado (5), às 13h, no Creator Stage. No lugar de modelos humanos, humanoides, quadrúpedes e companheiros robóticos ocuparam a passarela, com demonstrações de piruetas, poses e dança. A feira também promove partidas diárias de futebol de robôs, com o time da Universidade Humboldt.

Quanto custa cada um

O Booster K1 é o mais barato: a partir de US$ 5.999, cerca de R$ 32 mil na conversão direta, sem impostos ou taxas de importação. São 95 cm de altura, 19,5 kg e 22 graus de liberdade, conforme a página do produto da Booster Robotics. A autonomia varia de 30 a 80 minutos, dependendo da versão.

O Zeroth W1 sai por US$ 7.999 na loja da fabricante — alta de 60% em relação aos US$ 4.999 da pré-venda anunciada em janeiro. Apesar de aparecer nas listas de humanoides, a ficha técnica oficial da Zeroth mostra que o W1 se move sobre esteiras, e não sobre pernas: os graus de liberdade declarados estão todos na cabeça, no pescoço e nos braços.

EngineAI T800, AGIBOT A3 e PrimeBOT Q1 não têm preço oficial publicado. O T800 tem 1,73 m, 29 graus de liberdade e 450 N·m de torque de pico, com percepção baseada em LiDAR de 360 graus e no chip Nvidia Jetson Orin NX, segundo comunicado da EngineAI. O A3, da AGIBOT, declara 173 cm, 55 kg e até 10 horas de autonomia, com bateria dupla de 1.152 Wh e troca a quente em 10 segundos.

"Mercado ainda não é maduro"

Ao Times Brasil, licenciado exclusivo da CNBC, o especialista em tecnologia José Adorno afirmou, direto de Berlim, que a tecnologia avançou, mas ainda não chegou ao consumidor final. "Os robôs vieram para ficar, mas eu diria que ainda não está realmente um mercado maduro para o consumidor final", disse.

Para Adorno, o principal gargalo está na capacidade de movimentação das mãos e na execução de tarefas com precisão. Ainda assim, ele avalia que a distância entre protótipo e produto disponível diminuiu: alguns modelos já são comercializados na Europa, nos Estados Unidos e, principalmente, na China.

Sem venda no Brasil

Nenhum dos cinco robôs tem loja oficial que entregue no país, assistência técnica local ou peça de reposição em estoque nacional. Quem quiser importar paga frete internacional, imposto de importação e ICMS estadual sobre o valor em dólar.

Com o tema "Innovation For All", a IFA 2026 ocupa 160 mil metros quadrados. Além da robótica, a feira concentrou lançamentos de casa conectada e a integração de inteligência artificial entre carros, eletrodomésticos e sistemas domésticos — estratégia apresentada por fabricantes como a Xiaomi.

Fontes consultadas nesta apuração

  • IFA 2026
  • robôs humanoides
  • robótica
  • inteligência artificial
  • Berlim
  • tecnologia

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