O Brasil passou a rodar seu próprio modelo de previsão do tempo. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), colocou em operação o Monan — sigla para Modelo para Previsões de Oceano, Terra e Atmosfera —, desenvolvido ao longo dos últimos três anos e processado no supercomputador Jaci, no centro de dados do instituto em Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo.
Segundo a Agência Brasil, o modelo opera com cobertura global, resolução de 10 quilômetros e duas atualizações diárias, gerando previsões consideradas altamente confiáveis com até 11 dias de antecedência. De acordo com o MCTI, a precisão das previsões meteorológicas brasileiras passa agora a estar no mesmo patamar de órgãos de referência dos Estados Unidos e da Europa.
Um modelo de previsão do tempo é um software que simula o comportamento futuro da atmosfera a partir de equações físicas. Ele é alimentado em tempo real por dados de satélites, radares e estações meteorológicas, e a qualidade do resultado depende tanto do refinamento do modelo quanto da capacidade de processamento da máquina que o executa.
Daí o peso do Jaci na equação. Segundo o DatacenterDynamics, o supercomputador foi adquirido por R$ 28 milhões da HPE Cray e tem capacidade de processamento de cinco a seis vezes superior à do Tupã, equipamento anterior do Inpe, além de cerca de 24 vezes mais espaço de armazenamento. A máquina é a primeira etapa do projeto Risc, que prevê outros três supercomputadores até 2028 e investimento total de R$ 200 milhões, incluindo modernização elétrica, novo sistema de refrigeração e uma usina fotovoltaica.
O mesmo veículo registrou que, até a entrada do Monan em operação, o país utilizava modelos desenvolvidos nos Estados Unidos e na Europa para montar suas previsões.
Na prática, o ministério espera três ganhos imediatos. O primeiro é a emissão de alertas antecipados de desastres, com monitoramento mais ágil de tempestades, frentes frias e secas severas.
O segundo é o apoio ao campo: previsões mais longas e detalhadas ajudam no planejamento de plantios e colheitas e reduzem prejuízos causados pelas oscilações do clima tropical, conforme informou o Canal Rural.
O terceiro é a gestão hídrica, com estimativas mais detalhadas do volume de chuvas nas bacias hidrográficas, informação que interessa diretamente ao setor elétrico e ao abastecimento urbano.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou que a operação do modelo amplia a soberania do país sobre dados climáticos e fortalece o uso de uma ferramenta concebida para as especificidades tropicais da América do Sul. Segundo ela, isso contribui para decisões públicas mais rápidas e para o desenvolvimento econômico.
O desenvolvimento do Monan não se encerra com a estreia. Ainda de acordo com o MCTI, as próximas etapas incluem um modelo regional para a América do Sul, capaz de captar o comportamento do tempo em recortes de 5 quilômetros, e ferramentas de nowcasting — previsões de curtíssimo prazo, válidas por até seis horas e voltadas justamente aos temporais repentinos.
A expectativa do Inpe, segundo o DatacenterDynamics, é de que o sistema completo esteja pronto até 2028, quando os quatro supercomputadores previstos no projeto Risc estiverem instalados.