A Samsung Electronics anunciou nesta quinta-feira (30) o maior lucro trimestral de sua história. O lucro operacional do segundo trimestre chegou a 89,5 trilhões de wons (cerca de US$ 62 bilhões), alta de 1.814% sobre o mesmo período do ano passado, segundo o balanço divulgado pela empresa na Coreia do Sul. O resultado foi puxado pela venda de chips de memória para servidores de inteligência artificial.
A receita entre abril e junho somou 171,5 trilhões de wons (cerca de € 103,5 bilhões, aponta a Euronews), crescimento de 130% em um ano. Tanto a receita quanto o lucro superaram os recordes anteriores da companhia, de 133,9 trilhões e 57,2 trilhões de wons, apurou o Korea Times.
Chips pagam a conta
A divisão de semicondutores (Device Solutions) faturou sozinha 127,5 trilhões de wons, alta de 357%, e entregou lucro operacional de 89,2 trilhões — mais de 220 vezes o registrado um ano antes, segundo o Korea Times. De acordo com o comunicado oficial, o negócio de memória bateu recorde histórico de receita e lucro com a disparada dos preços e da demanda por produtos para servidores de IA.
A empresa afirma que ampliou as vendas dos chips de memória de alta largura de banda HBM4 e foi a primeira do setor a entregar amostras da geração seguinte, a HBM4E, a grandes clientes. Para o segundo semestre, a projeção da própria Samsung é de mercado ainda subabastecido, com a expansão da infraestrutura de IA e a adoção da chamada IA agêntica.
Celulares no vermelho
O mesmo fenômeno que enriqueceu a área de chips derrubou a divisão de dispositivos (DX), que inclui celulares, TVs e eletrodomésticos. A unidade teve receita de 48 trilhões de wons, queda de 7,2%, e prejuízo operacional de 800 bilhões de wons (US$ 554 milhões), revertendo lucro de 4,7 trilhões de um ano antes, segundo o Korea Times. O Galaxy S26 vendeu bem, mas o encarecimento dos componentes — em especial da própria memória — corroeu as margens. A companhia diz que planeja reestruturar o negócio de dispositivos.
Escassez de chips até 2028
Kim Jaejune, vice-presidente executivo da área de memória da Samsung, afirmou em teleconferência que a diferença entre oferta e demanda deve aumentar em 2027 e que a escassez deve se estender até 2028. "Apesar dos nossos esforços para aumentar a produção, o crescimento da demanda está superando esses esforços", disse o executivo, segundo a agência AP.
Kim afirmou ainda que a Samsung fechou contratos de fornecimento de longo prazo com as cinco maiores operadoras de data centers do mundo e está perto de acordos com outras cinco empresas. Ele não citou nomes; a AP aponta que a lista pode incluir Amazon Web Services, Google, Meta, Oracle e Microsoft. A primeira fábrica da empresa em Taylor, no Texas, deve começar a operar ainda neste ano, e uma segunda unidade está prevista para produzir em massa a partir de 2030.
Mercado reage com cautela
O balanço sai um dia depois de a rival SK Hynix também divulgar receita e lucro recordes, com alta de 1.242% no lucro operacional. Juntas, as duas sul-coreanas produzem cerca de dois terços dos chips de memória do mundo.
Apesar dos números, as ações das duas companhias caíram ao longo da semana na bolsa sul-coreana, reflexo da desconfiança de investidores com os pesados investimentos em novas fábricas e com a concorrência crescente da China, segundo a Euronews. Para o analista Son In-joon, da Eugene Investment & Securities, a volatilidade mostra que o mercado passou a olhar menos para o lucro imediato e mais para a sustentabilidade dos negócios de IA no longo prazo.