Lucro da Vale cai 43% no 2º tri com guerra no Irã e frete caro
Mineradora atribui queda ao petróleo mais caro e ao câmbio; conselho aprova R$ 8,6 bilhões em proventos e recompra de até 2,3% das ações
Redação Apuramos
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Mineradora atribui queda ao petróleo mais caro e ao câmbio; conselho aprova R$ 8,6 bilhões em proventos e recompra de até 2,3% das ações
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A Vale registrou lucro líquido de R$ 6,847 bilhões no segundo trimestre de 2026, queda de 43,3% em relação aos R$ 12,081 bilhões apurados no mesmo período do ano passado. O balanço foi divulgado na noite desta quinta-feira (30), após o fechamento da B3. Em dólares, o lucro atribuível aos acionistas somou US$ 1,375 bilhão, recuo de 35% na comparação anual — abaixo da projeção de US$ 1,84 bilhão compilada pela LSEG, segundo o InfoMoney.
Em comunicado, a mineradora afirmou que o resultado mostra "resiliência diante de um cenário global mais desafiador, caracterizado por preços mais elevados do petróleo e maior volatilidade cambial".
Segundo a companhia, o trimestre foi afetado principalmente pelo aumento de custos — com destaque para o combustível de navegação, que acompanhou a disparada do petróleo desde o início da guerra no Irã. Conforme apurou a Folhapress, o custo de entrega do minério de ferro subiu 18% na comparação anual por causa do frete mais caro. A variação cambial também jogou contra.
A Vale citou ainda o aumento das atividades de concentração de minério, a suspensão das operações nas unidades de Fábrica e Viga e a manutenção bienal programada nas instalações de Sudbury, no Canadá.
Os números do Ebitda divergem conforme a moeda: em reais, o indicador ajustado caiu 3,3%, para R$ 18,516 bilhões, informou o Money Times; em dólares, subiu 9%, para US$ 3,676 bilhões, conforme o InfoMoney — efeito da valorização do real no período. Já a receita líquida avançou 6,4%, para R$ 53,012 bilhões (US$ 10,5 bilhões), puxada pelos metais básicos. A China seguiu como principal mercado, com R$ 26,697 bilhões da receita do trimestre.
Na operação, o trimestre foi o melhor em anos. A Vale produziu 84,3 milhões de toneladas de minério de ferro, o maior volume para um segundo trimestre desde 2018, com recorde no projeto S11D, em Canaã dos Carajás (PA). A produção de cobre subiu 6%, para 98,4 mil toneladas, e a de níquel avançou 4%, para 42 mil toneladas.
O Ebitda da divisão de metais básicos passou de R$ 4,04 bilhões para R$ 6,5 bilhões, enquanto o de Soluções de Minério de Ferro recuou de R$ 16,847 bilhões para R$ 15,4 bilhões.
Com a expectativa de petróleo caro por mais tempo, a empresa revisou as projeções para 2026. O custo caixa C1 do minério de ferro passou da faixa de US$ 20 a US$ 21,50 por tonelada para US$ 22,50 a US$ 23,50. O custo all-in subiu de US$ 52-56 para US$ 58-62 por tonelada. As estimativas consideram câmbio médio de R$ 5,13 e Brent a US$ 86 o barril.
Na direção oposta, a mineradora elevou a projeção de produção de cobre (de 350 mil-380 mil para 360 mil-380 mil toneladas) e de níquel (de 175 mil-200 mil para 185 mil-200 mil toneladas), além de reduzir os custos previstos para essas operações.
Junto com o balanço, o conselho de administração aprovou remuneração bruta de R$ 2,030721898 por ação — R$ 1,5687 como juros sobre capital próprio e R$ 0,4620 como dividendos —, o que equivale a cerca de R$ 8,6 bilhões. Terão direito os acionistas com posição em 11 de agosto; as ações passam a ser negociadas sem o provento em 12 de agosto, e o pagamento ocorre em 2 de setembro (10 de setembro para detentores de ADRs na Bolsa de Nova York).
O conselho aprovou também um novo programa de recompra de até 100 milhões de ações ordinárias em 18 meses, cerca de 2,3% dos papéis em circulação.
O balanço chega em meio a uma crise de governança. Em julho, renunciaram o presidente do conselho, Daniel Stieler, após pressão da Previ, e o vice-presidente, Marcelo Gasparino, em meio a acusação de vazamento de informações — que ele nega. Ambas as saídas são apuradas pela CVM, que investiga ainda o pacote financeiro concedido a Stieler após a renúncia. A Vale justificou o benefício alegando que o ex-presidente tinha dedicação exclusiva e acesso a informações sensíveis, com contrapartidas de confidencialidade e não competição.
Nesta quinta-feira, o conselho elegeu Reinaldo Duarte Castanheira Filho como novo vice-presidente e Wilfred Theodoor Bruijn para liderar os conselheiros independentes.
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