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Lula ataca Netanyahu e diz que ONU está falhando

Em discurso na Assembleia Geral, presidente citou Gaza, criticou o Conselho de Segurança e defendeu multilateralismo a 12 dias da eleição presidencial.

Redação Apuramos

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Arnaud Jaegers/Unsplash — imagem ilustrativa
Arnaud Jaegers/Unsplash — imagem ilustrativa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou nesta terça-feira (22) na abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York — a décima vez que ele abre a sessão desde 2003. No discurso, Lula afirmou que a credibilidade da organização "nunca esteve tão baixa" e criticou o que chamou de imobilismo do Conselho de Segurança diante das guerras em curso, segundo a CNN Brasil.

Para o presidente, a ONU está falhando em sua missão de "livrar a humanidade do flagelo da guerra". Ele disse que os líderes mundiais enfrentam escolhas decisivas entre multilateralismo e unilateralismo, democracia e extremismo, soberania e subordinação.

Lula também mirou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a quem acusou de conduzir um "genocídio" em Gaza. Ao mesmo tempo, reconheceu que civis israelenses "pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas" e defendeu publicamente Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados e alvo de sanções dos Estados Unidos.

O petista ainda alertou para os riscos de uma escalada no Golfo Pérsico, que segundo ele já afeta famílias em todo o mundo por meio do aumento nos preços de combustíveis, fertilizantes e alimentos.

Duas afirmações do discurso foram checadas pela agência Lupa. A primeira, sobre o desmatamento na Amazônia, foi considerada verdadeira: dados do Inpe mostram que a taxa caiu para 5,7 mil km² em 2025, o menor patamar desde 2014 e uma redução de cerca de 50% em relação a 2022.

A segunda checagem envolveu a nova lei antifacção, que Lula descreveu como mais rigorosa do que a legislação antiterrorismo. Segundo a Lupa, a afirmação procede: a norma prevê penas de 20 a 40 anos de prisão para integrantes de organizações criminosas, contra 12 a 30 anos previstos para atos de terrorismo.

Já a promessa de construir "um país livre do feminicídio" foi classificada como exagerada pela checagem. O Brasil registrou 1.571 casos de feminicídio em 2025, recorde histórico e alta de 4% sobre 2024 — número que contradiz a ideia de que o problema estaria superado.

O discurso ocorre a 12 dias da eleição presidencial de outubro, em meio à disputa entre Lula e o principal adversário nas pesquisas, o deputado Flávio Bolsonaro (PL). Nesta terça, enquanto o presidente discursava em Nova York, Flávio cumpria agenda de campanha em São Luís (MA), com carreata de motos, comício na sede do comitê e ato público, segundo a Agência Brasil.

Outros presidenciáveis também estavam nas ruas: Romeu Zema (Novo) caminhou pelo centro de Poços de Caldas (MG) e concedeu entrevistas, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) percorreu cidades de Goiás em carreata e reuniões políticas. A movimentação de campanha reforça o clima de reta final às vésperas do primeiro turno.

Na ONU, Lula deve manter agenda paralela de encontros bilaterais ao longo da semana, à margem do debate geral, que segue até sábado (26) com discursos de outros chefes de Estado e de governo.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Lula
  • ONU
  • Eleições 2026
  • Netanyahu
  • Política

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