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Lula diz que "não é louco" de brigar com EUA e China; entenda

Em discurso na reunião anual da SBPC, em Niterói, presidente afirmou que quer "derrotar" as potências investindo em ciência, defendeu uma IA brasileira e um plano nacional de defesa

Redação Apuramos

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Lula diz que "não é louco" de brigar com EUA e China; entenda
Chris Boland/Unsplash — imagem ilustrativa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na noite desta terça-feira (28) que não é "louco" de comprar briga com os Estados Unidos nem com a China. A declaração foi dada em discurso na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói (RJ), enquanto o presidente comentava a disputa global por terras raras, minerais críticos e inteligência artificial.

"Vocês acham que eu quero brigar com a China? Eu não sou louco. Vocês acham que eu quero brigar com os Estados Unidos? Eu não sou louco. Eu não tenho nem os aviões que eles têm, nem os tanques que eles têm, nem as bombas que eles têm, nem o dinheiro que eles têm, nem o conhecimento científico e tecnológico que eles têm", disse o presidente, segundo registrou o Poder360.

"Quero derrotá-los estudando"

Em vez do confronto direto, Lula apresentou uma estratégia baseada em educação, ciência e pesquisa. "Ao invés de ficar brigando, eu quero derrotá-los estudando, investindo e pesquisando mais do que eles", afirmou, de acordo com o Estadão.

Ao tratar das terras raras — insumos estratégicos para a indústria de tecnologia —, o presidente lembrou que boa parte do setor está "nas mãos dos chineses" e defendeu que o Brasil dispute espaço na corrida tecnológica, apurou o Metrópoles. "A gente vai deixar que a briga fique entre Estados Unidos e China? Ou a gente vai entrar no meio e dizer: 'Nós existimos e o nosso povo não é mais burro do que o de vocês'", declarou.

Lula também defendeu que o Brasil desenvolva um modelo próprio de inteligência artificial. Segundo o Poder360, o presidente disse que a tecnologia deveria refletir "os anseios da humanidade" a partir da realidade brasileira, e não apenas a disputa entre americanos e chineses.

Plano de defesa nacional

Em outro trecho do discurso, o presidente afirmou que o país precisa elaborar um plano de defesa, citando como argumentos a extensão territorial e as reservas de terras raras, minerais críticos e o pré-sal, que exigiriam capacidade de proteção. "Se a gente não tiver defesa, a gente não toma conta", disse, conforme o Poder360. Ele acrescentou que áreas estratégicas não podem depender "do que sobra" do orçamento.

Pano de fundo: tarifaço e atrito com Washington

A fala ocorre em um momento de forte tensão entre Brasília e Washington. Nas últimas semanas, os Estados Unidos aplicaram ao Brasil um tarifaço setorial de 25% e uma sobretaxa de 12,5% vinculada a uma investigação sobre "trabalho forçado", segundo o Poder360. O Itamaraty, por sua vez, negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado americano que pretendiam se reunir com autoridades eleitorais brasileiras.

No domingo (26), Lula conversou por telefone com o líder chinês Xi Jinping por mais de uma hora — o primeiro contato direto entre os dois desde as novas tarifas americanas. De acordo com o Itamaraty, citado pelo Poder360, a ligação tratou de minerais críticos e de cooperação em inteligência artificial.

Reeleição sem promessas

No mesmo discurso, Lula afirmou que não fará promessas na campanha à reeleição. "Eu sou presidente da República, não posso fazer promessas em uma campanha. Se vocês tiverem que votar, votem pelo que eu fiz, e não pelo que eu vou fazer. Porque o que eu fiz é certeza, o que eu vou fazer, não é", declarou, conforme o Estadão.

Fontes consultadas nesta apuração

  • lula
  • eua
  • china
  • tarifaço
  • sbpc
  • terras raras
  • inteligência artificial
  • política externa

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