Um objeto que caiu na madrugada desta quinta-feira (30) no leste da Polônia "parece ser um míssil da Rússia", afirmou o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk. A queda provocou uma explosão e abriu uma cratera de cerca de 10 metros de largura em um campo na região de Lublin, durante um ataque massivo russo contra a Ucrânia que matou ao menos oito pessoas, segundo as autoridades ucranianas. Não houve feridos em território polonês.
Radar detectou objeto às 3h40
O Comando Operacional das Forças Armadas da Polônia informou que um objeto não identificado, movendo-se para oeste, foi detectado no espaço aéreo do país às 3h40 (horário local, 22h40 de quarta em Brasília). Um caça F-16 foi acionado para interceptá-lo, mas o objeto sumiu dos radares às 3h46, antes de ser identificado, segundo o site Notes from Poland. Um helicóptero Mi-24 enviado à área localizou o provável ponto de impacto.
A cratera foi encontrada entre as localidades de Tarnawa-Kolonia e Tokary, na província de Lublin, a cerca de 2 km das casas mais próximas, de acordo com a polícia local. O Notes from Poland fala em cerca de 100 km da fronteira com a Ucrânia; a RFI, em cerca de 80 km. Fragmentos ficaram espalhados pelo campo, e policiais da unidade antiterrorismo isolaram a área, apurou a Reuters. A Justiça militar polonesa abriu investigação para determinar a origem do objeto.
Kiev aponta míssil de cruzeiro Kh-101
Para o chanceler ucraniano, Andrii Sybiha, um míssil de cruzeiro russo Kh-101 cruzou o espaço aéreo polonês durante o bombardeio. "É mais uma demonstração clara de que reforçar a defesa aérea da Ucrânia agora é urgente e serve de garantia para a proteção de toda a comunidade euro-atlântica", escreveu ele no X. Os radares poloneses detectaram ao longo da noite ao menos uma dúzia de mísseis sobre o oeste ucraniano cujas trajetórias podiam representar ameaça ao espaço aéreo do país, segundo o comando militar polonês.
A Rússia não havia se manifestado sobre o incidente até a publicação desta reportagem.
Sirenes, críticas e reação da UE
Tusk convocou um comitê de coordenação com o ministro da Defesa, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, que classificou a madrugada como "extremamente difícil para nossos sistemas de defesa aérea, vigilância e detecção de ameaças". Sirenes de alerta soaram por cerca de 13 minutos em Lublin e em outras áreas da província.
A oposição criticou a comunicação do governo. "Alguns minutos de alarme, nenhuma informação na grande mídia sobre o que estava acontecendo (...) e nenhuma mensagem de alerta do Centro Governamental de Segurança", reclamou o deputado Michal Dworczyk, do partido Lei e Justiça (PiS). O ministro de Assuntos Digitais, Krzysztof Gawkowski, defendeu o acionamento das sirenes em entrevista à Polsat News.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, condenou os ataques "massivos" e denunciou a "violação do espaço aéreo polonês". Os bombardeios "ressaltam mais uma vez que a agressão da Rússia constitui uma ameaça para a segurança de toda a Europa", escreveu Costa no X.
Ataque matou família com 3 crianças na Ucrânia
Do lado ucraniano, o episódio mais grave ocorreu em um vilarejo perto de Kryvyi Rih, no centro do país, onde um míssil balístico atingiu uma casa e matou seis integrantes de uma mesma família — três adultos e três crianças, segundo a RFI. "Era uma casa comum, reduzida a pedaços por um míssil balístico", afirmou o presidente Volodymyr Zelensky. Em Kiev, uma pessoa morreu e duas ficaram feridas; os ataques chegaram até Lviv, no oeste.
A força aérea ucraniana contabilizou 74 mísseis e 284 drones lançados pela Rússia; 55 mísseis e 265 drones teriam sido interceptados. Zelensky voltou a cobrar dos aliados sistemas antiaéreos Patriot e falou em "escassez crítica" de mísseis de defesa aérea.
Relembre casos anteriores
Em novembro de 2022, a queda de um míssil de defesa antiaérea ucraniano matou duas pessoas no vilarejo polonês de Przewodów. Em setembro de 2025, cerca de 20 drones russos entraram no espaço aéreo da Polônia e foram derrubados ou caíram no país, na mais grave violação registrada até então envolvendo um membro da Otan.