Um operário chinês e uma moradora nepalesa foram retirados com vida dos escombros deixados pela enchente que devastou o Himalaia, dez dias depois do desastre. Os resgates deste sábado (5) renovaram a esperança das equipes que ainda procuram cerca de 5 mil desaparecidos na região.
Segundo a Al Jazeera, Lu Haitao foi libertado de um ponto a 225 metros de profundidade dentro de um túnel alagado de uma usina hidrelétrica no distrito de Rasuwa, nas montanhas ao norte de Katmandu, a capital do Nepal.
O trabalhador foi retirado por uma equipe conjunta formada por militares nepaleses e especialistas em desastres da Coreia do Sul. Ele estava estável, com hipotermia leve, e foi levado de helicóptero a um hospital em Katmandu.
À televisão estatal chinesa, Lu contou que gritava toda vez que via a luz das lanternas dos socorristas dentro do túnel, sem ser ouvido, até que um facho finalmente parou sobre ele. "Eu não conseguia acreditar", disse.
Horas antes, Chandika Kumari Shrestha, de 64 anos, foi retirada de sua casa desabada no distrito vizinho de Nuwakot. Encontrada coberta de lama, ela recebeu água dos socorristas antes de ser transportada de helicóptero para tratamento na capital, informaram autoridades locais.
Quatro sobreviventes em dois dias
Os dois são o terceiro e o quarto sobreviventes encontrados em poucos dias. Na sexta-feira (4), os operários Sanjay Shah, de 30 anos, e Kabir Maharjan, de 45, foram resgatados do túnel principal da obra da usina Trishuli 3A — os primeiros retirados com vida de qualquer uma das hidrelétricas atingidas, nove dias após a tragédia.
Segundo o Exército do Nepal, um dos sobreviventes desse resgate afirmou que há outros trabalhadores vivos mais adentro do túnel. As buscas passaram a se concentrar naquele ponto. Só no canteiro da Trishuli 3A, ao menos 557 trabalhadores estão desaparecidos, dos quais cerca de 115 seriam os presos no túnel principal.
Mais de 1.300 mortos e 5 mil desaparecidos
O desastre começou em 26 de agosto, com o colapso parcial de uma geleira no Himalaia, que despejou água, rocha e gelo nos vales.
De acordo com a autoridade nacional de gestão de desastres do Nepal, citada pela Al Jazeera, ao menos 1.331 pessoas morreram no país e cerca de 5 mil seguem desaparecidas — entre elas, 589 estrangeiros. No Tibete, região autônoma da China do outro lado da fronteira, as autoridades registram 31 mortos e 531 desaparecidos.
Cerca de 900 trabalhadores continuam sem localização apenas em canteiros de usinas hidrelétricas. Estima-se que aproximadamente 500 deles ainda estejam presos dentro de túneis, em uma dúzia de projetos destruídos pela enxurrada.
Chuva atrapalha buscas; ajuda externa cresce
Reportagem da Agência Brasil, com informações da agência Lusa, apontou que a queda de rochas teve força suficiente para ser registrada como um evento sísmico de magnitude 5,2. A torrente arrastou casas, prédios, estradas e pontes ao longo dos vales onde o Nepal concentra boa parte de sua geração de energia.
O país havia recusado grande parte da ajuda externa no início das operações, mas agora equipes da Índia, da China, da Coreia do Sul e dos Estados Unidos participam das buscas. Uma unidade australiana com 15 especialistas em drones chegou nesta semana, a pedido do governo nepalês.
O correspondente da Al Jazeera Tony Cheng, no distrito de Rasuwa, relatou que a chuva deste sábado reduziu o ritmo das buscas, embora as equipes sigam avançando.
O ministro nepalês de Informação e Comunicações, Bikram Timilsina, afirmou que o governo mantém a expectativa de encontrar mais pessoas vivas. "Estamos esperando o resgate de mais e mais pessoas", declarou.