O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou neste domingo (9) que seu governo rejeita o plano de 15 pontos apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para avançar na próxima etapa do acordo de paz em Gaza. A declaração foi dada na abertura de uma reunião de gabinete e representa a primeira recusa explícita do premiê ao documento, depois de mais de uma semana de críticas graduais.
"Israel rejeita o documento de 15 pontos", disse Netanyahu, em fala reproduzida pela agência AFP e pela CNN. Segundo o premiê, o Exército israelense "não fará nenhuma retirada até que o Hamas seja genuinamente desarmado" e seguirá agindo para frustrar ameaças contra as tropas e os cidadãos do país.
"Desarmamento real, não fictício"
Netanyahu detalhou o que entende por desarmamento. "Quando digo desarmar o Hamas, isso significa armas pesadas, armas menos pesadas, todas as armas. E estamos falando de desarmamento real, não de um desarmamento fictício", declarou, conforme o texto publicado pela CNN e assinado por Eugenia Yosef e Tim Lister.
O premiê disse ainda que o assunto está em discussão com Washington. "Eles têm ideias, algumas das quais são aceitáveis para nós e outras não, e sabemos como nos posicionar nessas questões", afirmou. Na mesma reunião, segundo a CNN, Netanyahu repetiu que, "enquanto eu for primeiro-ministro, nenhum Estado palestino será estabelecido — nem em Gaza nem na Cisjordânia".
O que prevê o plano
O documento é a etapa mais recente do cessar-fogo intermediado pelos Estados Unidos e anunciado em outubro, que reduziu, mas não encerrou, as operações israelenses em Gaza. Pelo texto, o Hamas entregaria suas armas a um órgão de governo palestino em formação, e Israel começaria a retirar tropas em paralelo ao desarmamento — modelo rejeitado pelo governo israelense, informou a AFP.
No fim de julho, Trump anunciou o que classificou como um acordo histórico para desarmar o Hamas e os demais grupos armados do território. Na versão do plano descrita pela NBC News, Israel interromperia os ataques e iniciaria a saída dos cerca de 60% da Faixa que hoje controla; a CNN registra que as forças israelenses ocupam mais da metade de Gaza, nas áreas leste e sul.
Na semana passada, após reunião entre Netanyahu e Nickolay Mladenov, diretor do Board of Peace — conselho criado para implementar o acordo —, o órgão recuou e passou a afirmar que a retirada israelense só ocorreria depois de concluído o desarmamento, segundo a Al Jazeera. Integrantes do próprio conselho avaliam que a entrega de todo o armamento não é uma meta realista, apurou a AFP.
O outro lado
O Hamas endossou o documento no mês passado e, no sábado (8), anunciou ter aprovado a versão final do roteiro da segunda fase, cobrando pressão dos Estados Unidos sobre Israel. O grupo afirma que só cumprirá o acordo se Israel interromper os ataques na Faixa e recuar até a chamada "linha amarela", definida pelo cessar-fogo de outubro, de acordo com a CNN.
A Al Jazeera registra que Israel manteve ataques quase diários em Gaza desde que aceitou o cessar-fogo, em outubro.
Pressão eleitoral
A recusa ocorre em meio à pressão da base de direita de Netanyahu, que pede uma nova votação no gabinete para encerrar o plano. O premiê, o mais longevo da história de Israel, disputa a permanência no cargo em uma corrida apertada às eleições, segundo pesquisas citadas pela AFP.