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Netanyahu tenta impedir voto de israelenses no exterior

Likud pede à Justiça eleitoral que barre iniciativa que ajuda israelenses no exterior a voltar para votar nas eleições de 27 de outubro.

Redação Apuramos

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René DeAnda/Unsplash — imagem ilustrativa
René DeAnda/Unsplash — imagem ilustrativa

O partido Likud, do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, entrou com uma petição na Comissão Eleitoral Central de Israel para tentar barrar uma iniciativa que ajuda israelenses que vivem no exterior a voltar ao país para votar nas eleições legislativas marcadas para 27 de outubro.

A ação foi movida pelo advogado Ilan Bombach em nome do Likud e mira o programa "Fly & Vote", promovido pela America-Israel Democracy Assistance Coalition (AID Coalition), organização com sede nos Estados Unidos. Segundo o Courthouse News Service, a iniciativa ajuda israelenses no exterior a encontrar passagens aéreas mais baratas para retornar e votar presencialmente — hoje a única forma permitida pela lei israelense, que não prevê voto remoto para civis, apenas para diplomatas.

Mais de 35 mil israelenses já se cadastraram no programa, e levantamentos internos da organização sugerem que mais de 50 mil possam efetivamente embarcar rumo a Israel antes do pleito, de acordo com a CNN em espanhol.

Na petição, o Likud classifica os descontos em grupo negociados pela iniciativa como um "suborno eleitoral" que viola a legislação de financiamento de campanhas, alegando ainda que o programa recebe financiamento estrangeiro irregular e oferece benefícios eleitorais proibidos por lei — mesmo que os próprios eleitores paguem por suas passagens.

A AID Coalition rebateu as acusações. Segundo a CNN em espanhol, a organização afirmou que o Likud busca "impedir que cidadãos israelenses... tenham o direito e o dever de participar da decisão sobre o futuro" do país. Batell Blaish Sultanik, cofundadora do "Fly & Vote", declarou que a iniciativa é apartidária: "não perguntamos nem verificamos em quem as pessoas vão votar".

O caso ganha peso porque a eleição está sendo disputada ponto a ponto. Segundo o Courthouse News, pesquisas indicam uma corrida acirrada entre o bloco de Netanyahu e a oposição liderada pelo centrista Gadi Eisenkot, e grupos opositores acreditam que mobilizar eleitores da diáspora pode reforçar o campo anti-Netanyahu.

De acordo com o Escritório Central de Estatística de Israel, cerca de 600 mil israelenses vivem fora do país — até 10% da população israelense pode estar no exterior em um dado momento, segundo a CNN em espanhol. A maioria desse contingente não pode votar pela via remota, o que faz do retorno físico ao país a única alternativa viável para participar do pleito.

Parlamentares da oposição também levantaram preocupação de que o controle do Ministério dos Transportes pelo Likud possa ser usado para restringir a operação de aeroportos no dia da eleição, dificultando o desembarque de eleitores vindos do exterior. A ministra Miri Regev, no entanto, negou publicamente qualquer intenção nesse sentido.

Ainda não há data definida para o julgamento da petição do Likud pela Comissão Eleitoral Central, mas a decisão deve sair antes de 27 de outubro, quando os israelenses vão às urnas em uma eleição que, segundo pesquisas recentes, pode não dar a nenhum dos dois principais blocos os 61 assentos necessários para formar governo na Knesset.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Israel
  • Netanyahu
  • Eleições
  • Oriente Médio
  • Likud

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