A guerra entre Estados Unidos e Irã ganhou um novo capítulo no mar. O Comando Central americano (Centcom) afirmou ter destruído três petroleiros iranianos, e a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) respondeu dizendo ter alvejado seis embarcações no Estreito de Ormuz e arredores. É a escalada naval mais grave desde a retomada dos combates, no fim de agosto.
Segundo a CNN Brasil, os ataques americanos ocorreram no sábado (5/9) e atingiram três petroleiros iranianos, um deles perto da Ilha de Kharg. Em despacho da agência AFP publicado pelo jornal O Tempo, o Centcom detalhou que as embarcações foram alvejadas “na costa da ilha de Kharg” e no Golfo de Omã, que um dos navios foi atingido “depois que a tripulação recebeu ordem para abandonar” a embarcação e que nenhum militar americano ficou ferido.
“Que a mensagem à Guarda Revolucionária seja clara: se dispararem contra dois de nossos navios, vamos impor um custo econômico ainda maior, eliminando três dos seus”, declarou o comandante do Centcom, almirante Brad Cooper. Ainda segundo a AFP, os militares americanos afirmaram que os alvos faziam parte de “uma rede clandestina multibilionária” que financia a Guarda Revolucionária e seus aliados na região.
Teerã conta a história ao contrário. De acordo com a TMC, em reportagem produzida com a Reuters, o governo iraniano sustenta que suas ações contra embarcações ligadas aos Estados Unidos foram uma resposta aos bombardeios americanos — e não o contrário. A agência semioficial iraniana Tasnim informou que quatro mísseis dos EUA atingiram um petroleiro na área de ancoradouro de Kharg, sem vítimas, com a tripulação sendo retirada do navio.
Em nota divulgada no canal oficial do Telegram e reproduzida pela AFP, as forças navais da Guarda Revolucionária anunciaram ter alvejado “três petroleiros que utilizavam a rota não autorizada do Estreito de Ormuz, e três navios ligados aos Estados Unidos”. O Ministério das Relações Exteriores iraniano condenou os ataques a “navios mercantes iranianos no Golfo Pérsico e no Mar de Omã”, classificando-os como violação da Carta das Nações Unidas e “um crime de guerra”.
O porta-voz do Comando de Operações Conjuntas Khatam al-Anbiya, tenente-coronel Ebrahim Zolfaghari, advertiu que novos ataques das Forças Armadas iranianas a embarcações militares americanas na região “serão mais fortes que anteriormente e poderão alastrar”.
A Ilha de Kharg está no centro da disputa porque é o coração da indústria petrolífera iraniana. Antes da guerra, cerca de 90% das exportações de petróleo do país saíam de lá, informa a TMC. O Irã é o terceiro maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Em 31 de agosto, o presidente Donald Trump ameaçou atacar a ilha em uma publicação nas redes sociais acompanhada de um vídeo gerado por inteligência artificial, afirmando que Kharg estava sendo “reduzida a pedacinhos”. Autoridades iranianas prometeram resposta contundente caso o ataque se concretizasse.
O conflito começou em 28 de fevereiro. Desde então, o Irã fechou o Estreito de Ormuz à navegação e passou a exigir autorização para a passagem de navios, enquanto os Estados Unidos impuseram bloqueio a portos e embarcações iranianas. Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pelo estreito, um corredor de aproximadamente 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico, segundo o Metrópoles.
O impacto chega ao bolso do consumidor pela via do petróleo. Na retomada dos ataques, em 31 de agosto, o barril do tipo Brent chegou a ser cotado a US$ 90,70, alta de 4,58% em 24 horas, também de acordo com o Metrópoles. Cada nova troca de golpes na região tende a manter elevado o prêmio de risco embutido nos preços da commodity.
Nos Estados Unidos, o desgaste também é político: o conflito, que já dura mais de seis meses, enfrenta oposição crescente às vésperas das eleições legislativas de novembro.