Paes falta ao 1º debate do governo do RJ e vira alvo dos rivais
Líder das pesquisas desistiu na véspera; adversários o chamaram de "fujão", "homem de geleia" e "agressor de mulheres" no encontro da Band
Redação Apuramos
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Líder das pesquisas desistiu na véspera; adversários o chamaram de "fujão", "homem de geleia" e "agressor de mulheres" no encontro da Band
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O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), líder das pesquisas para o governo do Rio de Janeiro, foi o principal alvo do primeiro debate entre os pré-candidatos ao Palácio Guanabara na noite deste domingo (9) — sem estar presente. Ele havia confirmado participação e desistiu na véspera. Os quatro adversários que subiram ao palco da Casa Firjan, em Botafogo, transformaram a cadeira vazia no assunto da noite.
Segundo reportagem do Estadão Conteúdo publicada pelo Terra, Paes foi chamado de "homem geleia" por André Marinho (Novo), de "agressor de mulheres" por Douglas Ruas (PL) e de "aliado de milícia" pelo ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos). O quarto participante foi William Siri (PSOL). O debate, transmitido pela Band e pela BandNews FM Rio, teve mediação da jornalista Adriana Araújo.
O trecho mais compartilhado saiu de André Marinho, humorista de profissão. Ao responder uma pergunta sobre saúde, ele imitou a voz e os trejeitos do ex-prefeito, conforme registrou a Rádio Itatiaia: "Se vocês acharam que o Eduardo Paes não estaria presente, eu estou aqui, pô (sic). Está faltando dipirona enquanto são milhões aí para a Madonna, esse é meu jogo", disse, em referência aos shows gratuitos promovidos pela prefeitura em Copacabana.
Marinho também cobrou a promessa de Paes de concluir o mandato na prefeitura. "Quem tem a capacidade de abandonar o posto, não tem a coragem de competir", afirmou, segundo o Terra.
Ruas foi além e afirmou que o adversário ausente teria "uma trajetória de violência contra as mulheres", prometendo monitoramento por tornozeleira eletrônica a agressores em seu eventual governo. A acusação partiu de um adversário direto, em plena disputa eleitoral, e não foi respondida — Paes não estava no estúdio.
A decisão foi comunicada à Band na noite de sábado (8). De acordo com a CNN Brasil, a coordenação da campanha informou, em nota, que seguiu orientação do departamento jurídico: o candidato "não vai participar de debates e sabatinas antes do início oficial da campanha e da confirmação dos registros de candidaturas pela Justiça Eleitoral". O período eleitoral começa oficialmente em 16 de agosto. A CNN afirmou ter perguntado quais seriam os entraves legais e não obteve resposta.
A emissora reagiu na abertura do programa. "Comunicou na noite de ontem que não viria ao debate. Nós lamentamos a decisão que desrespeita o direito do eleitor à informação e ao confronto democrático entre os candidatos", leu Adriana Araújo.
O primeiro confronto direto da noite opôs Siri e Ruas em torno do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. O candidato do PSOL classificou Ruas como aliado político de Bacellar e perguntou: "Você, como seus padrinhos, vai negociar com o crime?", segundo a Itatiaia. Ruas respondeu que não tem padrinhos e devolveu, dizendo que o PSOL integrava a base de Bacellar na Assembleia.
As fontes divergem sobre a situação atual do ex-deputado: o Terra o descreve como preso por envolvimento com o Comando Vermelho, enquanto a Itatiaia registra que ele teve o mandato cassado e foi indiciado pela Polícia Federal sob suspeita de vazar informações sigilosas de operações policiais, obstrução de investigação e ligação com a facção. Bacellar nega irregularidades e responde às apurações em liberdade de defesa; nenhuma condenação definitiva foi divulgada.
Até a publicação desta matéria, Paes não havia se manifestado sobre os ataques recebidos no debate. A única comunicação de sua campanha sobre o episódio foi a nota que justificou a ausência. Segundo a última pesquisa Genial/Quaest citada pela CNN Brasil, ele lidera todos os cenários de primeiro e segundo turno na disputa fluminense.
Novos debates devem ocorrer a partir de 16 de agosto, quando a campanha começa oficialmente e Paes afirma que passará a comparecer.
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