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Payroll hoje (7/8): EUA perdem 23 mil vagas de trabalho em julho

Relatório do Departamento do Trabalho veio muito abaixo da projeção de 80 mil contratações e derrubou as apostas em alta de juros pelo Fed em setembro

Redação Apuramos

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Payroll hoje (7/8): EUA perdem 23 mil vagas de trabalho em julho
Eric Prouzet/Unsplash — imagem ilustrativa

Os Estados Unidos fecharam 23 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola em julho, informou o Departamento do Trabalho americano nesta sexta-feira (7). O dado, divulgado às 9h30 no horário de Brasília pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), frustrou as projeções: economistas ouvidos pela Reuters e pela Broadcast esperavam a abertura de 80 mil postos. A taxa de desemprego recuou de 4,2% para 4,1%.

Conhecido como payroll, o relatório é o principal termômetro do mercado de trabalho americano e um dos indicadores mais acompanhados pelo Federal Reserve (Fed) na definição dos juros. Nos 12 meses anteriores, segundo o próprio BLS, a economia dos EUA vinha gerando em média 34 mil vagas por mês.

Educação pública e varejo puxaram as perdas

O corte mais pesado veio da educação das prefeituras e governos locais, que eliminou 50 mil postos no mês depois de mais de um ano praticamente estável, segundo o BLS. O varejo perdeu outras 19 mil vagas, com destaque negativo para clubes de compra, hipermercados e lojas de departamento (-21 mil) e postos de combustível (-5 mil). Na contramão, lojas de artigos esportivos, hobbies, instrumentos musicais e livros abriram 10 mil vagas.

O setor financeiro cortou 14 mil postos, puxado por intermediação de crédito (-9 mil) e seguradoras (-7 mil). Desde o pico de maio de 2025, o segmento acumula 121 mil vagas a menos.

A saúde seguiu como o principal sustentáculo do emprego, com 22 mil contratações — ritmo abaixo da média de 36 mil por mês dos 12 meses anteriores. Construção, indústria, transporte, mineração e serviços profissionais ficaram praticamente estáveis.

Segundo a CNBC, o emprego privado até cresceu no mês, com 30 mil vagas abertas, mas foi mais do que anulado pela queda de 53 mil postos no setor público.

Revisões apagaram 103 mil vagas de maio e junho

O relatório também revisou para baixo os dois meses anteriores. Maio caiu de 129 mil para 63 mil vagas, e junho passou de 57 mil para 20 mil. Somados, os dois meses ficaram 103 mil postos abaixo do que havia sido informado antes. O BLS explica que as revisões incorporam dados enviados depois pelas empresas e órgãos públicos, além do recálculo dos fatores sazonais.

O salário médio por hora do setor privado praticamente não se moveu, a US$ 37,62 (alta de 2 centavos). Em 12 meses, o avanço foi de 3,2%. A jornada semanal média ficou estável em 34,3 horas.

O que muda para os juros nos EUA

O cenário é atípico: antes do relatório, o mercado trabalhava com a hipótese de alta de juros pelo Fed em setembro, e não de corte. Na semana passada, o banco central americano manteve a taxa na faixa de 3,50% a 3,75%, com três diretores votando por elevação de 0,25 ponto percentual, conforme apurou o InfoMoney.

O payroll fraco esfriou essa aposta. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, citada pelo Monitor do Mercado, a chance de manutenção dos juros em setembro subiu de 45% para 55,9% logo após a divulgação. No mercado, os juros dos Treasuries e o índice do dólar (DXY) aceleraram a queda, enquanto os futuros de Wall Street ganharam força, registrou o acompanhamento em tempo real do Money Times.

Leituras divergentes

Presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin afirmou que o mercado de trabalho está "em um equilíbrio frágil" e que os números indicam "uma tendência de baixas contratações e baixas demissões; não são muito bons, mas é o que temos", em declarações reproduzidas pelo Monitor do Mercado.

Jeff Rosenberg, da BlackRock, ponderou ao mesmo veículo que "um único dado não define uma tendência", mas destacou as revisões como ponto de atenção. Já a economista Andressa Durão, do ASA, avaliou que a queda do desemprego veio da menor participação na força de trabalho — que caiu a 61,4%, o menor nível em cinco anos — e que o conjunto dos dados aponta "mais para uma desaceleração e um reequilíbrio do mercado de trabalho do que para uma deterioração".

Os dados de inflação da próxima semana devem acirrar o debate. O próximo payroll, referente a agosto, está marcado para 4 de setembro.

Fontes consultadas nesta apuração

  • payroll
  • EUA
  • emprego
  • Federal Reserve
  • juros
  • economia americana
  • BLS
  • desemprego

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