Petrobras acha petróleo na Foz do Amazonas, a 175 km do Amapá
Poço Morpho é a primeira descoberta da estatal na Margem Equatorial. Setor comemora, ambientalistas mantêm as críticas e a avaliação ainda vai levar meses.
Redação Apuramos
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Poço Morpho é a primeira descoberta da estatal na Margem Equatorial. Setor comemora, ambientalistas mantêm as críticas e a avaliação ainda vai levar meses.
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A Petrobras confirmou a presença de petróleo e gás natural no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. É a primeira descoberta da estatal na Margem Equatorial brasileira, faixa marítima que vai do Rio Grande do Norte ao Amapá e é apontada há anos como a nova fronteira exploratória do país.
O anúncio foi feito na sexta-feira (14) e repercutiu ao longo deste sábado (15) no setor de energia e entre organizações ambientais.
Segundo comunicado da Agência Petrobras, foram identificados hidrocarbonetos em um poço exploratório ainda em perfuração no bloco FZA-M-59, em águas profundas do Amapá. O poço Morpho (1-BRSA-1405-APS) fica a cerca de 175 quilômetros da costa de Oiapoque (AP) e a quase 500 quilômetros da foz do rio Amazonas, sob lâmina d'água de 2.886 metros.
Hidrocarbonetos são os compostos que formam o petróleo e o gás natural — matéria-prima de combustíveis, plásticos e borrachas. A presença deles indica que a área pode conter óleo, gás ou os dois.
"Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país", disse a presidente da companhia, Magda Chambriard.
De acordo com a Agência Brasil, o intervalo portador de hidrocarbonetos foi constatado por meio de perfis elétricos e indicativos em rocha. As operações de perfuração seguem em curso.
Na prática, o que começa agora é a fase de avaliação exploratória. Só ao fim dela será possível dizer o tamanho, a qualidade e a viabilidade econômica de uma eventual reserva — e nada garante, neste momento, que a produção comercial se confirme.
A Petrobras é a operadora do bloco e detém 100% de participação na área. O FZA-M-59 foi arrematado na 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013, sob o regime de concessão.
A perfuração só começou em outubro de 2025, depois de cerca de cinco anos de trâmites para obter a autorização ambiental do Ibama, conforme reportagem do Gizmodo Brasil baseada em apuração da agência alemã DW.
O interesse do setor pela região é alimentado sobretudo pelo exemplo da Guiana, país vizinho onde grandes descobertas em alto-mar transformaram a economia nacional em pouco mais de uma década.
O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) classificou o achado como "extremamente importante". A Petrobras pretende perfurar outros três poços na mesma região.
Do outro lado, organizações ambientais reforçaram as objeções ao projeto. Suely Araujo, coordenadora do Observatório do Clima e ex-presidente do Ibama, afirmou à agência AFP que a descoberta de hidrocarbonetos não resolve os problemas apontados durante o licenciamento ambiental.
Segundo ela, comunidades tradicionais da região não foram consultadas de forma adequada, e os cálculos usados para estimar as consequências de um eventual vazamento são questionáveis.
A tensão não é nova. O governo defende a redução gradual da dependência dos combustíveis fósseis, mas argumenta que a receita do petróleo pode financiar a transição para fontes mais limpas — posição que expõe a contradição entre as metas climáticas do Brasil, anfitrião da COP30 em 2025, e a expansão da exploração.
Para a Petrobras, o momento financeiro é favorável: a estatal registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, segundo a Agência Brasil.
O Brasil foi o nono maior produtor mundial de petróleo em 2025. Se a avaliação do Morpho confirmar volumes relevantes, a Margem Equatorial pode empurrar o país para cima nessa lista — ao mesmo tempo em que amplia a pressão sobre os compromissos ambientais brasileiros.
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