Os preços do petróleo abriram a semana em forte queda nesta segunda-feira (3), depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ter suspendido novos ataques ao Irã e afirmou que já existe um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz. A baixa chegou a 6% no início dos negócios e devolve parte da alta acumulada em julho.
Por volta das 3h30 no horário de Greenwich, os contratos futuros do Brent — referência global — caíam US$ 4,60, ou 5%, a US$ 83,37 o barril, enquanto o WTI americano recuava US$ 4,95, quase 6%, a US$ 79,72, segundo dados divulgados pelo site de negócios AGBI com informações da Reuters. A Associated Press registrou cotações semelhantes no início da manhã em Nova York: Brent a US$ 83,50 (-5%) e WTI a US$ 79,76 (-4,9%).
Mesmo com a queda, as duas referências ainda acumulam alta de cerca de 28% no ano, de acordo com a AGBI. Em julho, os contratos do Brent subiram mais de 20% com o temor de interrupção no fornecimento global, apurou a CNN Brasil.
O que Trump disse
Em publicação na rede Truth Social no domingo (2), Trump afirmou ter concordado em suspender novos ataques a Teerã sob o argumento de que o Irã e outros países do Oriente Médio precisavam de mais tempo para fechar um acordo de paz. "Isso incluiria a abertura Imediata, Completa e Total do ESTREITO DE ORMUZ, e o fim da ameaça nuclear do Irã", escreveu, segundo a AGBI. Ele acrescentou que os EUA seguem "armados, preparados e prontos para agir".
Falando a jornalistas a bordo do Air Force One, o presidente disse que as primeiras conversas ocorreriam já na tarde desta segunda. "Há um acordo sobre Ormuz, e depois haverá um acordo sobre a questão nuclear", afirmou, conforme a CNN Brasil. O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, defendeu a redução da escalada em telefonema com Trump, informou a agência estatal saudita SPA.
O outro lado: Teerã nega e ataques seguem no mar
A mídia estatal iraniana desmentiu a versão de que o país teria pedido a suspensão dos bombardeios. "Trump, o tolo, perdeu o fôlego!", publicou a agência semioficial Fars no domingo, segundo a CNN Brasil. O Apuramos já havia registrado, no sábado, que Teerã nega a existência de um canal de negociação nos termos descritos pela Casa Branca.
A situação no mar também contradiz o discurso de distensão. A UKMTO, agência de operações marítimas do Reino Unido, relatou três ataques a navios-tanque na costa de Omã desde sábado, informou a AGBI. O site investingLive registrou ainda relatos de disparo de um míssil de cruzeiro iraniano contra um petroleiro. As informações não foram confirmadas de forma independente.
Iene dispara após intervenção conjunta
No câmbio, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e o Ministério das Finanças do Japão confirmaram oficialmente a intervenção conjunta de compra de ienes feita na sexta-feira (31). O dólar chegou a cair para 155,20 ienes e era negociado a 156,44 no meio da tarde em Tóquio, ante cerca de 164 ienes na semana passada, segundo a AP. O lado japonês já gastou mais de 8 trilhões de ienes (mais de US$ 50 bilhões) na operação.
"Washington não está mais apenas dando permissão a Tóquio para defender o iene. Está disposto a ficar do mesmo lado da operação", avaliou Stephen Innes, da SPI Asset Management, em comentário citado pela AP.
Bolsas asiáticas mistas
O iene mais forte pesou sobre as exportadoras japonesas: o Nikkei 225 caiu 1,1%, a 63.652,26 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi despencou 5,2%, a 6.252,49, devolvendo parte da alta de 17,9% registrada na sexta — o melhor dia da história do índice. Samsung e SK Hynix caíam 8,4% e 7,6%, respectivamente. Já o Hang Seng subiu 0,1% e o índice de Xangai perdeu 0,8%. Os dados são da AP.
OPEP+ eleva produção
No fim de semana, sete países da OPEP+ — Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã — acertaram elevar as cotas de produção em cerca de 188 mil barris por dia a partir de setembro, de acordo com comunicado do grupo citado pela AGBI.