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Petróleo desaba 7% e bolsas sobem com pausa nos ataques ao Irã

Brent chegou a ser negociado abaixo de US$ 90 nesta segunda-feira; Ásia fechou em alta, Europa abriu no azul e futuros de Nova York avançam antes da decisão do Fed

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Petróleo desaba 7% e bolsas sobem com pausa nos ataques ao Irã
Zbynek Burival/Unsplash — imagem ilustrativa

O preço do petróleo desabou na abertura da semana e destravou uma onda de alívio nos mercados globais nesta segunda-feira (27), depois que Estados Unidos e Irã interromperam os ataques no fim de semana. O Brent, referência internacional, caiu até 7,4% e chegou a ser negociado abaixo de US$ 90 o barril, segundo o banco Saxo, que apontava a commodity perto de US$ 88 no início da manhã na Europa. O WTI, referência americana, recuava cerca de 5%, na casa dos US$ 85.

Há divergência sobre onde o barril se acomodou: em texto assinado pela Bloomberg, o InfoMoney registrou queda superior a 7% nos primeiros minutos de negociação, com o Brent voltando a se estabilizar perto de US$ 92. Na sexta-feira, o contrato havia fechado a US$ 96,78, depois de superar os US$ 100 durante a semana passada — patamar que não era visto desde o fim de maio, conforme o Saxo.

O que provocou a queda

Após 13 dias seguidos de bombardeios contra o Irã, os Estados Unidos suspenderam as operações desde o fim da noite de sexta-feira, sem anúncio oficial ou explicação pública. O Exército iraniano informou no domingo que Teerã também interrompeu as ações de retaliação, segundo a Bloomberg. Paralelamente, vice-chanceleres do Irã e de Omã se reuniram em Teerã na sexta e no sábado para discutir a navegação no Estreito de Ormuz, corredor por onde passava um quinto do petróleo consumido no mundo e que está praticamente paralisado desde o início do conflito.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmou no Telegram que as conversas foram "construtivas" e que houve "algum progresso", sem detalhar. Ele ressalvou que não houve mudança no status do tráfego pelo estreito.

Bolsas sobem e dólar cede

O alívio se espalhou pelos mercados. Na Ásia, o índice sul-coreano Kospi fechou em alta de 0,97%, aos 6.755,75 pontos, enquanto o japonês Nikkei 225 subiu 0,5%, aos 64.931,19 pontos, e o australiano S&P/ASX 200 avançou 1,39%, de acordo com a CNBC. Na Europa, o britânico FTSE 100 abriu em alta de 0,5%, o francês CAC 40 subia 0,86% e o alemão DAX, 1,2%. Os futuros de Nova York também apontavam para abertura positiva, com o Dow Jones em alta de 408 pontos.

Com a expectativa de inflação global menos pressionada pela energia, os títulos do Tesouro americano se valorizaram: o juro do papel de dois anos recuava para 4,29% e o de dez anos, para 4,63%, cerca de quatro pontos-base abaixo do fechamento anterior em ambos os casos, conforme o Saxo. O dólar perdeu força ante todas as moedas do G10, e o ouro subia cerca de 0,9%, perto de US$ 4.090 a onça.

O risco não desapareceu

A trégua é frágil e não foi formalizada por nenhum dos dois lados. Questionado no programa Meet the Press, da NBC, se Donald Trump havia decidido não escalar o conflito, o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, disse que não iria "tão longe": "O presidente está mantendo todas as opções na mesa", afirmou, descrevendo as negociações como contínuas e "em todos os níveis".

Do lado iraniano, o porta-voz Mohammad Akraminia declarou à TV estatal que "se os americanos insistirem em continuar a guerra e os ataques aéreos, a geografia da guerra se expandirá".

Também segue de pé o risco no Mar Vermelho: os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, afirmaram no sábado ter atacado instalações ligadas à Saudi Aramco nos portos de Jizan e Yanbu. Nem o governo saudita nem a estatal confirmaram os ataques. Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita respondeu bombardeando posições houthis, segundo a Yemen TV.

Semana de decisão de juros

O movimento ocorre em uma semana de agenda cheia para os bancos centrais. O Federal Reserve anuncia sua decisão na quarta-feira (29), seguido pelo Banco da Inglaterra na quinta e pelo Banco do Japão entre quinta e sexta. Segundo o Saxo, o mercado de juros entrou na semana precificando mais de uma chance em três de que o Fed suba a taxa básica — mudança relevante em relação à expectativa anterior de manutenção prolongada. Mesmo com a queda desta segunda, o Brent ainda acumula alta de mais de 25% em julho e de mais de 50% em 2026.

As informações têm caráter jornalístico e não constituem recomendação de investimento.

Fontes consultadas nesta apuração

  • petróleo
  • Brent
  • Irã
  • Estados Unidos
  • mercados
  • bolsas
  • Fed
  • Estreito de Ormuz

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