O preço do petróleo voltou a ultrapassar a barreira dos US$ 100 por barril nesta quarta-feira (9), no nível mais alto desde o fim de julho, em meio à escalada de ataques cruzados entre Estados Unidos e Irã.
Segundo a agência Lusa, em despacho publicado pela rádio portuguesa Renascença, o contrato do Brent para entrega em novembro chegou a US$ 100,19 o barril no mercado de futuros de Londres às 08h29 de Lisboa (4h29 no horário de Brasília), depois de subir 2,20%. É a quarta sessão consecutiva de alta da commodity.
O movimento se manteve ao longo da manhã. No relatório diário da equipe de renda variável do Safra Invest, publicado pelo portal Mercado Hoje, o barril aparecia cotado a US$ 100,64, com avanço de 2,78%.
A escalada no Golfo
A disparada é reflexo direto do agravamento do conflito naval entre Washington e Teerã. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter atacado na madrugada desta quarta dois navios de guerra norte-americanos e bases dos EUA na Jordânia, além de cerca de dez embarcações que tentavam cruzar o Estreito de Ormuz, de acordo com a Lusa.
A ação iraniana respondeu a um ataque americano ocorrido horas antes. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou ter destruído, na terça-feira (8), cinco petroleiros iranianos: os navios M/T Kaviz, M/T Charminar, M/T Horizon 1 e M/T Riesco, no Golfo de Omã, e o M/T Derya, nas proximidades da ilha de Kharg, no Golfo Pérsico.
Conforme reportagem do Metrópoles, o Centcom afirmou que as embarcações integravam uma rede paralela usada para transportar e comercializar petróleo e financiar a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e seus aliados na região. Ainda segundo o comando militar americano, as tripulações receberam ordem de abandonar os navios antes dos disparos e nenhum militar dos EUA ficou ferido.
Com a operação, chegam a oito os petroleiros iranianos destruídos em quatro dias. "Se vocês atirarem em dois de nossos navios, nós imporemos um custo econômico ainda maior — destruindo três dos seus", disse o almirante Brad Cooper, comandante do Centcom, em declaração reproduzida pelo Metrópoles.
A ilha de Kharg, onde um dos navios foi atingido, concentra uma das principais estruturas de exportação de petróleo do Irã.
O efeito nos mercados
O salto da commodity pressionou as bolsas no exterior. O boletim do Safra Invest aponta que as praças europeias e os futuros americanos operavam em queda nesta quarta, refletindo o petróleo nos US$ 100 e a intensificação das tensões no Oriente Médio.
Outro fator citado no relatório é a retomada das compras de petróleo pela China. No país asiático, a inflação ao consumidor acelerou pela primeira vez desde abril e os preços ao produtor subiram acima das expectativas, sinais de recuperação da demanda doméstica. Na contramão, o minério de ferro recuava a US$ 99,30 a tonelada, queda de 1,70%.
No Brasil, o Ibovespa vinha de um pregão forte: fechou a terça-feira (8) aos 187.367 pontos, em alta de 1,20%, com o dólar no patamar de R$ 5,09, segundo o mesmo boletim. Na agenda doméstica desta quarta, o Banco Central divulga no início da tarde o dado semanal de fluxo cambial.
De US$ 91 aos três dígitos
A escalada atual dá continuidade a um ciclo que se acentuou em agosto. No dia 18 daquele mês, com o cessar-fogo entre americanos e iranianos expirado sem acordo e o Estreito de Ormuz fechado, o Brent superava os US$ 91 o barril. De lá para cá, a sequência de ataques a navios e petroleiros levou a commodity a recuperar a marca dos três dígitos.
Por Ormuz passa parcela relevante do petróleo comercializado no mundo, o que explica a sensibilidade do mercado a cada novo episódio na região.