Petróleo hoje (10/8): Brent sobe 1% com impasse no Ormuz
Irã lista seis condições para reabrir o estreito; barril vai a US$ 84,39 e bolsas da Ásia operam em alta
Redação Apuramos
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O petróleo abriu a semana em alta nos mercados internacionais depois que o Irã endureceu as condições para reabrir o Estreito de Ormuz. O Brent, referência internacional, subia 84 centavos, ou cerca de 1%, cotado a US$ 84,39 o barril às 4h24 no horário de Greenwich (1h24 de Brasília) desta segunda-feira (10), informou a agência Reuters. O WTI, referência dos Estados Unidos, avançava 60 centavos, ou 0,75%, a US$ 78,77.
O movimento reverte parte da queda da semana passada, quando as duas referências recuaram mais de 7% diante da expectativa de que Irã e Omã estivessem perto de um acordo capaz de destravar a passagem. Pela contagem da Al Jazeera, o Brent segue cerca de 16% acima do patamar anterior ao início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã divulgou no sábado uma lista de seis exigências que, segundo Teerã, Washington precisa cumprir antes da reabertura plena do estreito. O secretário do conselho, Mohammad Bagher Zolghadr, afirmou em declaração publicada pela emissora estatal IRIB que a via permanecerá fechada até que os EUA "corrijam seu comportamento".
Conforme a lista reproduzida pela Al Jazeera, as condições são: o fim das ameaças americanas e das ofensas ao que Zolghadr chamou de valores nacionais e religiosos do país; o encerramento definitivo dos ataques ao Irã e a seus aliados no Líbano, na Palestina, no Iêmen e no Iraque; a suspensão do bloqueio naval e a retirada das forças navais e aéreas dos EUA do entorno iraniano; indenização pelos danos de duas "guerras impostas"; o fim das sanções; e a liberação incondicional dos ativos iranianos congelados.
A lista vai além do memorando de entendimento assinado por Irã e EUA em 17 de junho, que, segundo a Reuters, tratava esses pontos como parte de um processo recíproco e faseado. A posição também contrasta com a de Washington: um funcionário americano não identificado disse à Reuters na sexta-feira que o bloqueio aos portos iranianos seria suspenso assim que a navegação comercial pelo Ormuz fosse restabelecida "sem impedimentos".
O chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou no domingo que o acordo com Omã sobre novas rotas de navegação está em "fase final", mas repetiu que o estreito só reabrirá quando os EUA atenderem às exigências, entre elas o alívio de sanções e o pagamento de reparações de guerra. Araghchi disse ainda que os dois países não estão negociando e que Teerã não iniciará conversas enquanto Washington descumprir o memorando de junho.
O trânsito segue mínimo. Dados da plataforma de rastreamento MarineTraffic citados pela Al Jazeera mostram que entre 8 e 15 embarcações cruzaram o estreito nos dias 4, 5 e 6 de agosto — ante cerca de 130 travessias diárias antes do conflito. A Organização Marítima Internacional (IMO) contabiliza ao menos 64 incidentes violentos e 17 mortes envolvendo navios comerciais desde o início da guerra, a maioria atribuída ao Irã.
No sábado, os Emirados Árabes Unidos condenaram Teerã pelo que descreveram como um ataque de míssil iraniano a uma embarcação da estatal Adnoc. A empresa informou na sexta-feira que 15 de seus navios foram atacados ao cruzar o Ormuz desde o começo do conflito. O governo iraniano não assumiu a autoria dos ataques e sustenta ter o direito de controlar a navegação na via, apesar de a liberdade de navegação ser um princípio do direito marítimo internacional.
Mesmo com a nova alta da energia, as bolsas asiáticas operavam em terreno positivo na manhã desta segunda-feira. O Nikkei, de Tóquio, subia cerca de 1,9%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, e o Hang Seng, de Hong Kong, avançavam 0,7% cada. O índice sul-coreano Kosdaq disparou mais de 5% e chegou a acionar o circuit breaker de compra, puxado por ações de tecnologia, segundo o portal financeiro investingLive.
O impulso veio de Wall Street: os índices americanos fecharam a sexta-feira em máximas históricas depois que dados de emprego mais fracos que o esperado reduziram as apostas em uma alta de juros pelo Federal Reserve.
O Estreito de Ormuz respondia por cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo antes da guerra, iniciada na madrugada de 28 de fevereiro. Como a Petrobras acompanha as cotações internacionais na formação dos preços nas refinarias, altas prolongadas do barril tendem a chegar à bomba.
O efeito já apareceu no primeiro semestre. Reportagem do g1 publicada em 14 de abril mostrou que o preço médio do diesel ao consumidor passou de R$ 6,08, na primeira semana de março, para R$ 7,43 em abril, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), com a gasolina a R$ 6,77. Na ocasião, especialistas ouvidos pelo portal descartavam risco de desabastecimento, mas já apontavam pressão sobre a inflação — o grupo Transportes puxou o IPCA de março, com alta de 4,59% nos combustíveis.
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