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PF aponta 74 ligações entre Jaques Wagner e ex-sócio do Master

Mendonça retirou o sigilo dos relatórios na noite de quinta (30); investigadores citam voos e estadas na "Ilha da Paixão". Defesa não comentou os documentos

Redação Apuramos

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PF aponta 74 ligações entre Jaques Wagner e ex-sócio do Master
Fabian Lozano/Unsplash — imagem ilustrativa

A Polícia Federal identificou 74 ligações telefônicas entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, registradas entre novembro de 2023 e 25 de maio de 2025. Os relatórios de inteligência que sustentam a conclusão vieram a público na noite desta quinta-feira (30), depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo das investigações do chamado Caso Master.

Segundo a Gazeta do Povo, que teve acesso aos documentos, as chamadas somaram mais de cinco horas e meia de conversa e revelaram uma "nítida preferência" por ligações de voz — recurso que, na leitura dos investigadores, servia para evitar registros escritos. A PF descreve a relação entre o parlamentar e o empresário como "marcada por manifestações de afeto e proximidade pessoal e familiar", indo além do nível institucional.

Voos e a "Ilha da Paixão"

O ponto central dos relatórios são deslocamentos aéreos sem comprovante de pagamento. De acordo com reportagem do Estadão publicada pelo Terra, em outubro de 2023 o senador e a mulher, Maria de Fátima Carneiro de Mendonça, teriam viajado à chamada Ilha da Paixão, no litoral de Candeias (BA), em aeronave ligada a Augusto Lima. A propriedade não está formalmente registrada em nome do empresário, mas os investigadores sustentam que ele mantinha a posse e o controle de fato do imóvel.

As versões sobre o transporte divergem: o Terra fala em aeronave, enquanto o Bahia Notícias, citando reportagem de O Globo, afirma que a mulher do senador foi levada de helicóptero.

A organização da viagem aparece nas mensagens apreendidas. "Tudo indica que Fatinha topa ir no sábado", teria escrito Wagner em áudio ao empresário, que respondeu depois com o prefixo da aeronave e o horário do voo. Ao voltar, Maria de Fátima enviou mensagens de agradecimento — "Chegamos", "Tudo lindo!!!" e "A gente ama vcs" —, trechos que a PF usa como evidência da proximidade entre as famílias. O Terra pondera que o relatório não esclarece a que ela se referia ao dizer que estaria "firme sempre" no que o empresário quisesse, nem associa a frase a qualquer iniciativa política ou financeira específica.

Fotos e vídeos das estadas circulavam em um grupo de WhatsApp batizado de "Família Brahia", com familiares do senador e do empresário.

Discrição, segundo os investigadores

Os relatórios também descrevem cuidados para evitar registros. Em um encontro no gabinete, Wagner teria orientado Lima a chegar ao meio-dia: "Eu posso ir lá embaixo, chegar mais ou menos junto com você na hora que for marcada e subo e você não precisa nem passar pela identificação", diz trecho citado pela Gazeta do Povo.

Já o dono do Master, Daniel Vorcaro, teria orientado pilotos a usar hangares pouco conhecidos. O Bahia Notícias, com base em apuração do Metrópoles, relata mensagens de setembro de 2024 em que o banqueiro pede que a aeronave seja recolhida a um espaço "que ninguém conheça" e retirada rapidamente do estado.

Para a PF, o conjunto indica a "concessão de vantagens indevidas" de natureza patrimonial e financeira, em ao menos quatro episódios de transporte aéreo. Os investigadores frisam, porém, que os elementos ainda não constituem prova definitiva de corrupção.

O outro lado

A defesa de Jaques Wagner não se manifestou sobre os documentos divulgados na quinta-feira, informou o Terra. À época da operação, o senador negou ter atuado em favor do banqueiro.

Sobre os valores apreendidos em junho — US$ 55 mil, € 33 mil e relógios de luxo —, o advogado Pablo Domingues afirmou que o dinheiro "tem origem lícita e comprovada", parte de diárias declaradas pagas pelo Senado por missões no exterior e parte de operações oficiais com instituição financeira. "Não há nada a ocultar", disse.

Relembre o caso

Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão em 18 de junho, na 9ª fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa ligadas ao Banco Master. Dias depois, ele deixou a liderança do governo no Senado alegando que queria provar sua inocência. Todos os citados são investigados e não foram condenados.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Jaques Wagner
  • Banco Master
  • Polícia Federal
  • André Mendonça
  • STF
  • Operação Compliance Zero
  • Daniel Vorcaro

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