O sistema de pagamentos instantâneos Pix apresentou instabilidade na manhã deste domingo (23) e deixou milhares de brasileiros sem conseguir concluir transferências e pagamentos. O Banco Central (BC) informou que o serviço foi restabelecido e descartou ataque cibernético, vazamento de dados pessoais ou desvio de recursos de clientes.
De acordo com o Brasil 247, a falha durou cerca de duas horas, das 6h45 às 8h45, no horário de Brasília. Em nota enviada à imprensa, a autoridade monetária confirmou a ocorrência: "Na manhã deste domingo (23/8), a equipe técnica do Banco Central identificou uma instabilidade nos sistemas do Pix, que gerou dificuldades na realização de transações nas primeiras horas do dia. Os sistemas foram prontamente restabelecidos e o Pix funciona normalmente".
Os efeitos variaram de banco para banco. Em apuração do jornal O POVO, parte dos aplicativos ainda permitia transferências para chaves já salvas como contatos, ou o preenchimento manual de instituição, agência e conta do destinatário. Em outros, não era possível nem acessar a chamada área Pix, onde ficam o extrato de transações e as chaves cadastradas.
Em todos os casos verificados pela reportagem, porém, não era possível transferir usando chaves que não estivessem salvas. Pagamentos por QR Code funcionaram de forma intermitente. Por volta das 10 horas, segundo o mesmo veículo, parte das funcionalidades já havia estabilizado.
O Downdetector, plataforma que reúne relatos de usuários sobre falhas em serviços digitais, registrou forte alta nas queixas nas primeiras horas do dia. Conforme o Brasil 247, o pico ocorreu por volta das 8h, com 2.492 notificações, número que caiu para 1.341 cerca de 43 minutos depois.
O Metrópoles apurou dados semelhantes: 2.469 relatos de indisponibilidade às 8h15, com queda para 393 registros às 9h, quando usuários já informavam normalização em algumas instituições financeiras. As reclamações vieram de clientes de diferentes bancos e regiões do país.
Ainda não há explicação oficial para a origem da falha. Segundo o Brasil 247, os técnicos do BC seguem analisando o episódio, embora já tenham afastado a hipótese de ataque.
Não é a primeira interrupção do Pix neste ano. Em 19 de janeiro, o sistema ficou fora do ar por cerca de 40 minutos por causa de uma indisponibilidade no Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), a base central de dados do Pix, provocada por um problema interno, conforme informou na ocasião o portal Convergência Digital.
O peso do sistema explica a repercussão de qualquer oscilação. Lançado em novembro de 2020, o Pix se tornou a forma de pagamento mais usada no país. Segundo a pesquisa "O Brasileiro e sua Relação com o Dinheiro", feita periodicamente pelo próprio BC e citada pelo O POVO, a ferramenta ultrapassou o dinheiro em espécie e o cartão de débito em 2024, quando 76,4% da população já havia adotado a tecnologia, contra 69,1% de usuários de cartão de crédito e 63,1% de cédulas.
Atualmente, ainda de acordo com o O POVO, 54,7% das transferências feitas no Brasil são realizadas via Pix. Só no segundo semestre de 2025, foram mais de 78 bilhões de transações, que somaram mais de R$ 68 trilhões.
Quem não conseguiu concluir uma transferência durante a instabilidade deve conferir o extrato antes de repetir a operação, para evitar pagamento em duplicidade.