O advogado Abelardo de la Espriella assume nesta sexta-feira (7) a Presidência da Colômbia para o período 2026-2030. A cerimônia está marcada para as 15h no horário local — 17h de Brasília — na Arena da Universidade Santiago de Cali, no Valle del Cauca.
É a primeira vez em mais de 200 anos que uma posse presidencial colombiana acontece fora de Bogotá, informou o Metrópoles. Segundo a revista Semana, quem colocará a faixa presidencial no novo mandatário é o presidente do Senado, Honorio Henríquez, em sessão do Congresso convocada para o meio-dia no mesmo local. Depois da juramentação, De la Espriella deve se deslocar ao Batalhão Pichincha para discursar diante das Forças Armadas.
Ele sucede Gustavo Petro, que deixa o cargo após quatro anos do primeiro governo de esquerda da história colombiana.
Petro não reconhece o resultado
Petro acusa De la Espriella de fraude eleitoral, sem apresentar provas, e afirmou que não vai à cerimônia. "Estamos diante de uma fraude e de um problema institucional indubitavelmente profundo, que é a posse de um presidente ilegítimo", disse na semana passada, em declaração reproduzida pelo Metrópoles. Ele também afirmou temer uma guerra civil no país e prometeu liderar a oposição e a "desobediência civil", conforme a agência EFE.
Nenhum congressista do Pacto Histórico, partido de Petro, deve participar do ato. A legenda convocou manifestações pacíficas em Bogotá, Barranquilla e Cali.
Em ligação com o presidente Lula na quarta-feira (5), porém, Petro afirmou ter compromisso com uma "transição pacífica", segundo nota divulgada pelo governo brasileiro.
O resultado da eleição foi apertado. No segundo turno, em 21 de junho, De la Espriella obteve 49,66% dos votos (12.959.515) contra 48,70% de Iván Cepeda (12.708.695) — diferença de cerca de 250 mil votos, de acordo com o Metrópoles.
Brasil envia o chanceler
Lula não comparece. O país será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que desembarcou em Cali. "É uma honra estar aqui para, amanhã, representar o Brasil e o presidente Lula na transmissão de mandato", declarou ao chegar, em fala publicada pelo jornal El Tiempo e reproduzida pelo Brasil 247. Segundo o site, a avaliação no Palácio do Planalto é de cautela, com expectativa de uma relação pragmática com Bogotá.
São esperadas cerca de 30 delegações oficiais. Entre os convidados estão o rei Felipe VI, da Espanha, e os presidentes Javier Milei (Argentina), José Antonio Kast (Chile), Daniel Noboa (Equador), Santiago Peña (Paraguai), José Raúl Mulino (Panamá), Luis Abinader (República Dominicana), Laura Fernández (Costa Rica) e Nasry Asfura (Honduras). A delegação dos Estados Unidos é chefiada pelo procurador-geral interino Todd Blanche, informou a EFE.
Segurança reforçada em Cali
O prefeito de Cali, Alejandro Eder, disse que cerca de 11 mil integrantes das forças de segurança foram mobilizados. A cidade decretou lei seca e restrição à circulação de veículos, e o transporte público ficou gratuito.
O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, alertou à rádio La FM para o risco de atentados: "Esses criminosos provavelmente pretendem interromper este evento democrático com atos terroristas". Nesta sexta, um possível cilindro-bomba foi encontrado na variante norte de Popayán, segundo a Semana.
Quem é De la Espriella
Advogado criminalista sem experiência política prévia, De la Espriella lidera o movimento Defensores da Pátria e é conhecido como "El Tigre". Na campanha, defendeu uma política de segurança mais dura e propostas liberais na economia, registrou o Metrópoles. A EFE o descreve como ultradireitista.
Antes mesmo da posse, ele anunciou o fechamento de 14 embaixadas e a ruptura de relações com Cuba e Nicarágua. Pela Semana, o novo governo pretende assinar 90 decretos logo após a cerimônia, dentro de um "plano de choque". Sobre a escolha de Cali, o presidente eleito afirmou nas redes sociais: "Minha posse será muito mais que uma cerimônia. Será a primeira demonstração de que a descentralização deixa de ser um discurso para se tornar realidade".