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PrEP injetável no SUS: Saúde pede inclusão do cabotegravir

Pedido vai à Conitec; Padilha diz que Brasil recusou o preço do lenacapavir e que não pagará "valores estratosféricos"

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PrEP injetável no SUS: Saúde pede inclusão do cabotegravir
National Cancer Institute/Unsplash — imagem ilustrativa

O Ministério da Saúde vai pedir a incorporação ao SUS do cabotegravir, injeção aplicada a cada dois meses para prevenir a infecção pelo HIV. O anúncio foi feito pelo ministro Alexandre Padilha na noite desta segunda-feira (27), em coletiva no Rio de Janeiro, horas antes da abertura da 26ª Conferência Internacional de Aids, que segue na cidade até sexta-feira (31). É a primeira vez que o encontro, o maior do mundo sobre o tema, acontece no Brasil.

Segundo a Agência Brasil, o pedido será encaminhado na próxima semana à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), colegiado que avalia custo-benefício, evidências científicas e impacto orçamentário antes de qualquer inclusão na rede pública. A comissão pode recomendar ou rejeitar a medida, mas a decisão final cabe ao ministério. A Revista Fórum informou que a análise está prevista para agosto.

Se aprovado, o medicamento passaria a ser oferecido ainda neste ano, ao lado da PrEP oral já disponível — o comprimido de uso diário ou sob demanda, que segundo o ministério já chegou a mais de 350 mil pessoas.

O que muda com a injeção

O cabotegravir foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023 e é produzido pela GSK, em parceria com a ViiV Healthcare. A principal diferença em relação ao comprimido está na adesão: quem esquece doses perde proteção, e a aplicação bimestral reduz essa barreira.

Um estudo da Fiocruz com 1,4 mil participantes em seis cidades brasileiras mostrou que 83% preferiram a injeção ao comprimido, e que 94% compareceram ao serviço de saúde na data correta da aplicação. Nenhum dos participantes foi infectado pelo vírus, segundo a Agência Brasil. Dados de vida real divulgados pela ViiV e pela GSK apontaram taxa anual de infecção de 0,1%. O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP também conduz ensaios com o medicamento no país, informou a Revista Fórum.

Padilha afirmou que o governo ainda negocia com a GSK o preço final e a quantidade de doses, mas que a empresa fez uma oferta considerada adequada.

O impasse do lenacapavir

A escolha do cabotegravir passou pelo custo de sua principal alternativa. O lenacapavir, que protege por seis meses, foi oferecido por um valor que o ministério classificou como inviável.

"Mesmo o Brasil se dispondo a pagar até 10 vezes o valor que foi oferecido a países similares ao nosso, como Indonésia e Tailândia, a indústria ainda disse que não pode oferecer para o sistema nacional público com esse valor. Então nós não pagaremos", declarou o ministro, em fala reproduzida pela Agência Brasil. Ao Metrópoles, ele resumiu: "Não aceitamos preços estratosféricos. Inovação sem acesso é injustiça."

Aprovado pela Anvisa em janeiro, o lenacapavir não está disponível nem no SUS nem na rede privada. Fora do Brasil, o custo pode chegar a uma média de US$ 25 mil por pessoa ao ano, o equivalente a mais de R$ 127 mil, segundo o Metrópoles. Apesar de ter sediado parte dos testes clínicos, o país ficou fora do acordo de licenciamento voluntário da Gilead, que autorizou seis fabricantes a produzir versões genéricas para 120 países. O Unaids registra que o Brasil avalia recorrer ao licenciamento compulsório.

O outro lado

Em nota citada pela Agência Brasil, a Gilead afirmou compartilhar a urgência de ampliar o acesso ao lenacapavir na América Latina e no Caribe e disse que, para países fora do território de licenciamento voluntário, "continua buscando caminhos sustentáveis de acesso de longo prazo, alinhados às condições do mercado local e às prioridades de saúde pública". A empresa acrescentou que o Brasil é uma das prioridades entre os países avaliados como potenciais parceiros de fabricação e que assinou memorando de entendimento com a Fiocruz para estudar transferência de tecnologia.

O quadro global

O relatório do Unaids divulgado na abertura da conferência aponta 1,2 milhão de novas infecções por HIV em 2025, queda de cerca de 40% desde 2010, e 570 mil mortes ligadas à aids. O avanço, porém, é desigual: as infecções subiram em 21 países e três regiões, e o Brasil está entre eles — o país respondeu ampliando em 41% o acesso a medicamentos de prevenção.

O financiamento internacional para o HIV caiu de US$ 8,8 bilhões em 2024 para US$ 7,3 bilhões em 2025, o menor patamar em quase duas décadas. Para a diretora-executiva do Unaids, Winnie Byanyima, "inovação sem acesso não é inovação, é injustiça". A entidade calcula que 20 milhões de pessoas precisam ter acesso à prevenção injetável para que a aids deixe de ser ameaça de saúde pública até 2030.

Este texto tem caráter informativo e não substitui a orientação de um profissional de saúde.

Fontes consultadas nesta apuração

  • HIV
  • PrEP
  • SUS
  • Conitec
  • cabotegravir
  • aids
  • Ministério da Saúde
  • Padilha

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