O partido Missão, criado pelos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), realizou neste sábado (1º) em São Paulo seu primeiro congresso nacional e apresentou publicamente a candidatura do empresário Renan Santos à Presidência da República. O ato aconteceu no Komplexo Tempo, na Mooca, zona leste da capital, e teve como ponto central o lançamento do "Livro Amarelo", o programa de governo da legenda.
Segundo o Brasil de Fato, o evento confirmou a chapa que tem como candidato a vice o tenente-coronel da reserva Aroldo Medina. O Congresso em Foco informou que Medina, de 62 anos, é oriundo da Brigada Militar do Rio Grande do Sul e já disputou o governo gaúcho e a prefeitura de Canoas.
Por que houve duas convenções
A oficialização formal da candidatura já havia ocorrido em 20 de julho, em convenção virtual e fechada. O partido atribuiu o formato a razões de segurança: Renan relatou ameaças que atribui a facções criminosas — entre elas o PCC e o Comando Vermelho, conforme o Congresso em Foco —, e a formalização antecipada permitiu que ele passasse a receber proteção da Polícia Federal.
Por isso, o ato deste sábado é tratado internamente como a convenção "de fato" da sigla, como descreveu a CNN Brasil. O Missão obteve registro no fim do ano passado, após recolher mais de 800 mil assinaturas.
O que diz o "Livro Amarelo"
O tamanho do documento varia conforme a fonte: a CNN Brasil e o Vero Notícias falam em 452 páginas, enquanto o Congresso em Foco registrou que o plano não pôde ser protocolado integralmente no Tribunal Superior Eleitoral por ter 360 páginas. O nome é uma alusão ao "Livro Vermelho", de Mao Tsé-Tung, e ao "Livro Verde", de Muammar Gaddafi, segundo a CNN.
"A ideia é apresentar anualmente os pontos que ficaram de fora, fazer críticas ao livro do ano anterior e incorporar novas políticas públicas que o partido considere importantes", disse à CNN o deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP), coordenador do programa econômico da campanha.
Na economia, o texto prevê que o primeiro ato de um eventual governo seria enviar ao Congresso a chamada "PEC do Equilíbrio Fiscal". Conforme a CNN, a proposta inclui desindexar benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo, desvincular os pisos de saúde e educação da receita, rever o abono salarial e cortar renúncias fiscais, com economia projetada de R$ 1,1 trilhão até 2031.
O Brasil de Fato acrescenta que o programa defende a extinção da Justiça do Trabalho e a substituição da CLT por negociação direta entre patrões e empregados, além de uma PEC com corte de R$ 3,3 trilhões em gastos públicos em dez anos. Na segurança pública, ainda segundo o veículo, o candidato defende o chamado "Direito Penal do Inimigo", que na avaliação da publicação eliminaria a presunção de inocência.
Estrutura, ingressos e palanques
Os ingressos foram vendidos entre R$ 94 e R$ 7 mil, com expectativa de mais de mil presentes, informou a CNN. O Metrópoles apurou que o último lote da modalidade mais cara, chamada "Onça", chegaria a R$ 8 mil, com open bar, espaço exclusivo e item de coleção autografado.
O partido não anunciou alianças e montou palanques próprios, com nove candidaturas a governos estaduais. Em São Paulo, porém, o nome ao governo só deve ser definido na quarta-feira (5), segundo o Metrópoles — Artur do Val está inelegível e tenta reverter a situação no STJ, e Kataguiri deve concorrer à reeleição para a Câmara, movimento ligado à cláusula de barreira.
Para a coordenadora-geral da campanha, a vereadora Amanda Vettorazzo, o traço distintivo da sigla é "essa organização toda, não ter medo das pautas difíceis e uma militância engajada", disse ela à CNN. A emissora aponta que Renan aparece em terceiro lugar em várias pesquisas, à frente de nomes da direita tradicional.
O prazo legal para as convenções partidárias se encerra em 5 de agosto.