O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na tarde desta terça-feira (28), para uma reunião de cerca de 90 minutos no Salão Oval da Casa Branca — o primeiro encontro entre os dois desde o início da guerra contra o Irã, lançada em conjunto por Washington e Israel em 28 de fevereiro. Segundo o Times of Israel, Netanyahu deixou a Casa Branca por volta das 12h25 no horário local, 13h25 em Brasília.
Após a conversa, Netanyahu afirmou que a reunião foi "uma das melhores" que já teve com Trump, com "plena cooperação" e "apoio mútuo", ainda de acordo com o Times of Israel. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que os encontros de Trump com Netanyahu e com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky — recebido mais cedo no mesmo dia —, foram "positivos e produtivos". Até a publicação desta reportagem, a Casa Branca não havia divulgado um balanço detalhado do que foi acordado.
O que estava na mesa
A pauta do encontro incluía a guerra contra o Irã, o acordo mediado pelos EUA para encerrar o conflito entre Israel e o Líbano e a ampliação dos Acordos de Abraão, segundo um funcionário americano ouvido pelo Times of Israel. A AFP acrescenta que a reconstrução da Faixa de Gaza também estava entre os temas. Participaram da reunião o vice-presidente J.D. Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hegseth e o enviado especial Steve Witkoff, segundo fotos divulgadas pelo governo israelense.
"Discutiremos todas as questões e, em primeiro lugar, o Irã, naturalmente. Nosso objetivo é garantir nossa segurança, mas também ampliar o círculo de paz ao nosso redor", disse Netanyahu à imprensa antes de embarcar para Washington, segundo a AFP.
Guerra pausada e aceno à diplomacia
O encontro ocorre em um momento de trégua frágil. De acordo com a Al Jazeera, o memorando de entendimento firmado entre EUA e Irã em 17 de junho se dissolveu e deu lugar a 13 dias seguidos de escalada militar — os bombardeios estão suspensos há três dias. Na segunda-feira (27), Trump sinalizou uma nova ofensiva diplomática com Teerã. A AFP registra que Washington quer "dar uma nova chance à diplomacia" após duas semanas de bombardeios, e que Israel não participou dessa última rodada de hostilidades.
Atritos antes do aperto de mãos
O clima entre os dois líderes não era de harmonia total. Horas antes da reunião, Trump reagiu com irritação a declarações do premiê sobre a atividade nuclear iraniana no complexo conhecido como Pickaxe Mountain: "Não preciso que o Bibi me diga", afirmou, segundo o Times of Israel. O jornal também cita o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, para quem Israel quer voltar a atacar o Irã, mas está sendo contido pelos americanos.
Os atritos vêm de longe. Em abril, durante as negociações de cessar-fogo com Teerã, Trump chegou a chamar Netanyahu publicamente de "cara muito difícil", episódio que o israelense minimizou como "divergências táticas", relembra a AFP. Já na véspera do encontro, Trump voltou a expor a assimetria da relação: "Estamos sendo muito gentis com muitos países que não sobreviveriam sem nós. E sabe quem não sobreviveria sem nós? Israel", disse, segundo a Al Jazeera.
Eleições no radar dos dois lados
As fontes divergem sobre a contagem de visitas: a Al Jazeera fala na sétima ida de Netanyahu à Casa Branca no atual mandato de Trump, enquanto a AFP se refere ao oitavo encontro entre os dois desde o retorno do republicano ao poder. A viagem do premiê incluiu ainda uma homenagem ao senador Lindsey Graham, aliado histórico de Israel morto em julho.
Analistas ouvidos pelas agências apontam o cálculo eleitoral por trás da foto conjunta: Israel deve ir às urnas em outubro, e os EUA têm eleições de meio de mandato em novembro. Uma pesquisa Politico citada pela Al Jazeera indica que apenas um terço dos eleitores da base MAGA considera que os custos econômicos da guerra com o Irã valeram a pena. Para Yonatan Freeman, da Universidade Hebraica de Jerusalém, há "mais pontos de concordância do que de discordância" entre os aliados, disse à AFP. Já Matt Duss, do Center for International Policy, avaliou à Al Jazeera que, apesar das críticas públicas, "a política não mudou".