Rússia perde 42,8 mil soldados em julho, pior mês de 2026
Estado-Maior ucraniano contabiliza 42.860 baixas no mês; contagem independente de Mediazona e BBC identifica 236.066 militares russos mortos pelo nome
Redação Apuramos
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Estado-Maior ucraniano contabiliza 42.860 baixas no mês; contagem independente de Mediazona e BBC identifica 236.066 militares russos mortos pelo nome
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As Forças Armadas da Rússia tiveram em julho o mês mais custoso de 2026: 42.860 baixas, segundo balanço do Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia divulgado no dia 1º de agosto e detalhado nesta madrugada de segunda-feira (3/8) pelo jornal ucraniano The Kyiv Independent. É a primeira vez no ano que o número mensal passa de 40 mil.
Na contabilidade ucraniana, "baixas" reúne mortos, feridos, desaparecidos e prisioneiros — não apenas mortos. O recorde anterior de 2026 havia sido registrado em junho, com 39.290. A média mensal ao longo do ano está em torno de 34 mil, ainda de acordo com os dados do Estado-Maior.
O mesmo comando militar ucraniano afirma que, desde o início da invasão em larga escala, em 24 de fevereiro de 2022, a Rússia acumula cerca de 1.449.120 baixas — número atualizado até 2 de agosto. Só em 2026, seriam 238.650.
Os balanços ucranianos são divulgados diariamente e não podem ser verificados de forma independente. Nem Moscou nem Kiev publicam dados completos sobre as próprias perdas: o Ministério da Defesa da Rússia não atualiza publicamente suas cifras de mortos e feridos desde os primeiros meses da guerra.
Um levantamento paralelo, feito pelo site independente russo Mediazona em parceria com o serviço russo da BBC e uma rede de voluntários, chegou a 236.066 militares russos mortos identificados nominalmente até 31 de julho. Desde a atualização anterior, em meados de julho, foram acrescentados 2.867 nomes.
A metodologia é conservadora: só entram na lista mortes confirmadas por publicação oficial, veículo de imprensa russo, post de familiar que possa ser checado, ou registro fotográfico de sepultura. Os próprios autores alertam que o total real é "significativamente maior", porque nem toda morte é anunciada publicamente.
Pelo recorte do Mediazona, entre os mortos identificados há mais de 86,6 mil voluntários, 26,2 mil presos recrutados e 19,6 mil mobilizados. Foram confirmadas ainda as mortes de 7.465 oficiais e de 15 generais. Em 218,4 mil casos — cerca de 93% do total — a data da morte é conhecida.
As cifras variam bastante conforme a fonte. Em entrevista à Fox News em 31 de julho, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky estimou em torno de 1,6 milhão o total de baixas russas desde 2022, das quais aproximadamente 700 mil seriam mortes. Na mesma ocasião, disse que cerca de 50 mil militares ucranianos morreram e 400 mil ficaram feridos — número inferior ao que ele próprio havia citado em fevereiro, quando falou em ao menos 55 mil mortos ucranianos.
Já o Center for Strategic and International Studies (CSIS), think tank sediado em Washington, calculou em estudo recente cerca de 1,4 milhão de baixas russas entre fevereiro de 2022 e junho de 2026, com até 450 mil mortos.
O dado preocupa também os ucranianos por outro motivo. Em pronunciamento de 25 de julho, Zelensky disse, citando relatórios de inteligência, que Vladimir Putin estaria "preparando as condições para ampliar a mobilização". Segundo ele, a Rússia alistou 221 mil pessoas em 2026, enquanto sofria cerca de 225,5 mil baixas no mesmo período — ou seja, perde mais gente do que consegue repor. Zelensky afirmou ainda que Moscou se prepara para receber mais 30 mil soldados norte-coreanos.
Avaliações de inteligência ocidentais apontam na mesma direção: a meta russa de 30 mil recrutas por mês não vem sendo cumprida ao longo de 2026.
Os ataques não deram trégua. Na manhã desta segunda-feira, canais russos no Telegram relataram um novo bombardeio ucraniano contra um centro logístico da varejista Wildberries, em Khryastovo, na região de Vladimir. No domingo, drones ucranianos atingiram a refinaria de Saratov e a base aérea de Engels, enquanto Moscou afirmou ter abatido 635 drones em uma única noite.
Procurado por veículos internacionais, o governo russo não comentou os balanços ucranianos nem a contagem do Mediazona.
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