A Rússia não atingiu alvos do setor energético da Ucrânia nesta terça-feira (13), pela primeira vez desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um "cessar-fogo energético", no domingo (11). Os ataques, porém, continuaram contra outras estruturas do país.
Esta matéria é uma atualização do caso da trégua energética, já noticiado pelo Apuramos.
O que mudou na noite de segunda para terça
Segundo a Reuters, em texto publicado pela CNN Brasil, a Rússia bombardeou durante a noite a infraestrutura de transporte e logística de várias cidades ucranianas, com mísseis balísticos e drones. O Ministério da Defesa russo não mencionou instalações energéticas da Ucrânia no resumo diário.
De acordo com a agência, um porta-voz do Kremlin disse apenas que existem contatos em andamento, sem dar detalhes. Também não ficou claro se Moscou evitou de propósito atingir a infraestrutura de energia nessa noite.
Um míssil caiu a pouco mais de 1 km de uma usina que aquece grande parte de Lviv, no oeste do país, segundo a Reuters.
Balanço dos ataques
Na segunda-feira (12), a Rússia atingiu seis instalações energéticas ucranianas e disparou seis mísseis balísticos contra Kiev à noite, conforme a Reuters. A Força Aérea ucraniana disse não ter recebido alertas prévios, e as causas estão sendo investigadas.
Em Kharkiv, um prédio residencial atingido deixou 4 mortos e pelo menos 11 feridos. No país, ao menos uma dúzia de pessoas ficaram feridas, segundo autoridades. A Força Aérea informou danos em 17 locais durante a noite e disse ter abatido 88 dos 108 drones russos lançados. Na região de Khmelnytskyi, um hospital foi danificado.
Posição de Zelensky
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que a Ucrânia não atacava refinarias havia dois dias, mas que a Rússia continuou atingindo infraestrutura energética e crítica. Ele disse apoiar uma trégua energética, mas acusou Moscou de violá-la, algo que o Kremlin não reconhece ter firmado.
Na segunda, em Varsóvia, Zelensky declarou: "Neste inverno, se a Rússia não concordar com um cessar-fogo energético, nós responderemos".
Diesel e pressão sobre Kiev
O anúncio de Trump veio dois dias depois de ele divulgar um acordo que suspendeu sanções dos EUA às exportações russas de diesel, permitindo cerca de 2 milhões de toneladas métricas. A medida buscava reduzir os preços nos Estados Unidos, segundo a Reuters.
A agência e outros veículos relataram que autoridades americanas ameaçaram suspender o compartilhamento de inteligência e a venda de armas à Ucrânia caso Kiev não parasse de atacar refinarias russas. Autoridades ucranianas afirmam que os EUA seguem fornecendo dados, inclusive sobre preparativos de ataques com mísseis balísticos. O chanceler Andrii Sybiha confirmou o recebimento das informações nesta terça.
Trump atribui a alta do diesel nos EUA aos ataques ucranianos a refinarias, que levaram Moscou a suspender exportações. Segundo a Reuters, a maioria dos analistas aponta a guerra de Trump no Irã como fator muito mais relevante. A alta de preços é um problema para o Partido Republicano antes das eleições legislativas de meio de mandato, em 3 de novembro.