Selic hoje (5/8): Copom corta juros para 14% ao ano
Quarto corte seguido de 0,25 ponto leva a taxa básica ao menor nível do atual ciclo; comunicado mantém tom cauteloso e condiciona próximos passos aos dados de inflação
Redação Apuramos
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Quarto corte seguido de 0,25 ponto leva a taxa básica ao menor nível do atual ciclo; comunicado mantém tom cauteloso e condiciona próximos passos aos dados de inflação
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (5) a taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano. O corte de 0,25 ponto percentual foi divulgado no fim da tarde, após dois dias de reunião em Brasília, e confirmou a aposta majoritária do mercado financeiro.
O resultado foi registrado pela Trading Economics, que informou a redução de 25 pontos-base na reunião de agosto, "em linha com as expectativas do mercado". A Bloomberg também noticiou a decisão, apontando que a diretoria comandada por Gabriel Galípolo aprovou mais um corte de um quarto de ponto e que o afrouxamento acumulado desde março soma 100 pontos-base.
Segundo a CNN Brasil, este é o quarto corte consecutivo do atual ciclo, iniciado em março deste ano, quando a Selic saiu de 15% — patamar mantido desde junho de 2025 — para 14,75%. Seguiram-se reduções em abril e em junho, até os 14,25% vigentes antes desta reunião.
A leitura de que havia espaço para novo corte ganhou força com os dados de preços. A CNN Brasil informou que o IPCA-15 de julho avançou 0,06% no mês, bem abaixo do esperado, e desacelerou para 4,52% em 12 meses. O Metrópoles, em texto publicado na manhã desta quarta, registrou a inflação acumulada em 12 meses em 4,64%, acima do teto da meta — as duas publicações usam recortes diferentes do mesmo cenário de desaceleração.
Às vésperas da reunião, o Boletim Focus reduziu de 14% para 13,75% a projeção para a Selic no fim de 2026, a primeira revisão para baixo desde março, conforme a Agência Brasil. A mesma pesquisa cortou pela quinta semana seguida a estimativa para o IPCA de 2026, de 5,12% para 5,03%.
A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3% ao ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual — teto de 4,5%, lembrou a Agência Brasil.
Pelo resumo do comunicado publicado pela Trading Economics, o Copom descreveu a decisão como uma abordagem cautelosa diante da incerteza global crescente, ligada aos conflitos no Oriente Médio e à indefinição sobre a política monetária em economias avançadas.
No cenário doméstico, ainda de acordo com a Trading Economics, o comitê avaliou que a atividade econômica segue moderando gradualmente, mas continua resiliente, sustentada por um mercado de trabalho forte. A inflação cheia recuou, mas permanece acima do intervalo da meta, enquanto os núcleos desaceleraram para pouco abaixo do limite superior da banda.
O colegiado reiterou que os riscos para a inflação continuam inclinados para cima e que as decisões seguintes dependerão dos dados que forem divulgados, de modo a assegurar a convergência da inflação à meta.
O tamanho do corte era quase consenso, mas as estimativas de probabilidade divergiam entre veículos. A CNN Brasil citou 95% de chance de redução de 0,25 ponto nas Opções de Copom da B3; o The Rio Times, em prévia publicada na terça (4), falava em cerca de 75,5%. O Money Times apurou que 16 de 17 casas consultadas esperavam o corte, com o Citi como exceção, projetando manutenção em 14,25%.
Para o diretor da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Everton Gonçalves, ouvido pelo Terra antes da decisão, o movimento não deveria gerar turbulência: "O corte residual é compatível com o alongamento do horizonte relevante da política monetária para o primeiro trimestre de 2028", disse.
Ao Metrópoles, o economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, avaliou que "as expectativas de inflação acima da meta, o mercado de trabalho aquecido e a resiliência da atividade econômica exigem ainda uma política monetária contracionista".
A Selic é a referência para as demais taxas da economia e o principal instrumento do BC para controlar a inflação, explica a Agência Brasil. Quando cai, a tendência é de crédito mais barato, o que favorece consumo e investimento. A agência ressalva, porém, que os bancos também consideram risco de inadimplência, custos administrativos e margem de lucro ao definir os juros cobrados do consumidor — ou seja, o repasse não é automático.
O Copom ainda se reúne três vezes em 2026: em 15 e 16 de setembro, 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro, segundo calendário divulgado pela CNN Brasil e pelo Metrópoles.
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