Crise no STF: guerra de despachos soma 44 movimentações
Levantamento da CNN Brasil mostra Fachin, Mendonça e Moraes na linha de frente da disputa sobre o caso do Banco Master, entre 1º e 15 de setembro.
Redação Apuramos
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Levantamento da CNN Brasil mostra Fachin, Mendonça e Moraes na linha de frente da disputa sobre o caso do Banco Master, entre 1º e 15 de setembro.
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Um levantamento divulgado nesta sexta-feira (19) pela CNN Brasil mostra que a crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) em torno do caso do Banco Master já soma ao menos 44 movimentações entre despachos e ofícios trocados pelos ministros em apenas duas semanas.
Segundo o levantamento, o presidente da Corte, Edson Fachin, lidera a lista com 12 movimentações, seguido por André Mendonça (9), Alexandre de Moraes (8), Flávio Dino (6), Gilmar Mendes (5), Cristiano Zanin (3) e Luiz Fux (1). Três ministros não entraram na disputa: Cármen Lúcia, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli.
Despachos e ofícios são decisões e comunicações formais usadas pelos ministros para pedir informações, reivindicar acesso a provas ou contestar decisões de colegas. Nas últimas semanas, esse instrumento burocrático virou palco público da disputa entre os gabinetes.
O estopim, segundo a CNN Brasil, foi em 1º de setembro, quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens trocadas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Moraes reagiu acusando o colega de divulgação seletiva, afirmando que outros 180 documentos seguiam sob sigilo — ao todo, 38 processos ligados ao caso Master tiveram o sigilo levantado no período, segundo o balanço.
A disputa se estendeu ao afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, alvo de decisões conflitantes de Mendonça e Dino, e à briga pelo acesso aos dados extraídos do celular de Vorcaro, um iPhone 17 Pro. Zanin, Moraes e Gilmar Mendes chegaram a pedir acesso integral ao material, que Mendonça mantinha sob cópia lacrada em seu gabinete — os dados só foram liberados aos demais ministros um dia antes da sessão marcada para 15 de setembro, que trataria da abertura de investigação contra Moraes.
Diante do impasse, Fachin retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news e tirou Mendonça do processo sobre as mensagens com Vorcaro, na tentativa de conter o embate direto entre os dois. A Corte aparece dividida entre alas identificadas com Moraes e com Mendonça, com Fachin no papel de mediador.
Uma das poucas manifestações públicas fora desse eixo veio da ministra Cármen Lúcia, que se disse "envergonhada com a situação" e chegou a pedir desculpas ao país em sessão do plenário, segundo o levantamento da CNN.
O próximo capítulo já tem data marcada: o plenário deve analisar a conduta de Mendonça em sessão prevista para 23 de setembro, daqui a quatro dias.
O Apuramos já vem acompanhando a crise desde o início: o afastamento de Andrei Rodrigues, a acusação de Moraes contra Mendonça e o embate público entre Gilmar Mendes e Mendonça, quando o ministro foi chamado de "pixuleco eleitoral". Esta reportagem atualiza a cobertura com o balanço mais recente sobre a extensão da queda de braço interna na Corte.
Em decisão unânime, o Supremo garantiu 120 dias de afastamento remunerado, prorrogáveis por mais 60, para todas as mães, biológicas ou adotivas, em empregos públicos e privados.
Defesa alega falta de acesso a documentos da investigação; nova data não foi marcada, e depoimento do pai do banqueiro, em 30/09, também deve mudar.
Sessão que analisaria pedido de investigação contra o ministro André Mendonça foi suspensa por Fachin após impasse sobre unificar o caso ao de Moraes.