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SUS vai oferecer caneta emagrecedora; veja quem pode ter acesso

Governo confirmou que semaglutida e liraglutida serão incorporadas ao SUS "de forma responsável", mas o protocolo com o público prioritário ainda está em definição.

Redação Apuramos

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Umanoide/Unsplash — imagem ilustrativa
Umanoide/Unsplash — imagem ilustrativa

O governo federal confirmou que o Sistema Único de Saúde (SUS) vai passar a oferecer as chamadas "canetas emagrecedoras" — os medicamentos injetáveis à base de semaglutida e liraglutida — a pacientes com indicação médica. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita ao complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros (MG), na quinta-feira (17), ao lado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

"Essa canetinha vai ser utilizada para cuidar de graça das pessoas que tenham obesidade", afirmou Lula, segundo reportagem do Metrópoles. Padilha reforçou que a incorporação ao SUS será tratada como uma questão de direito: "Queremos a medicação no SUS. Como direito."

Segundo o Ministério da Saúde, o acesso não será indiscriminado. O ministro descartou que o medicamento seja usado como "milagre estético" e disse que a pasta ainda está fechando o protocolo clínico antes de liberar a oferta em todo o país. "Vamos deixar pronto o protocolo para podermos disponibilizá-lo no SUS", declarou Padilha, de acordo com o ND+.

Os grupos hoje avaliados como prioritários incluem pacientes que estão na fila para cirurgia bariátrica, pessoas com obesidade associada a comorbidades cardíacas e mulheres com histórico de câncer de mama, nas quais o excesso de peso eleva o risco de recidiva da doença. Padilha resumiu o critério em entrevista citada pelo Ministério da Saúde: "São pessoas que precisam do medicamento, com orientação médica."

Um estudo em curso, batizado de Real-Bari, já acompanha 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou obesidade associada a outras doenças no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre. A pesquisa vai gerar dados de segurança e eficácia que devem embasar o protocolo nacional. Segundo o ministério, o primeiro paciente monitorado já perdeu 6 quilos e reduziu a circunferência da cintura enquanto aguarda a cirurgia.

Nenhuma data foi definida para o início da distribuição em todo o SUS. O governo ainda precisa fechar os critérios de elegibilidade, o cronograma de implementação e quais das 14 versões do medicamento já registradas no Brasil serão usadas.

A ampliação da concorrência já baixou os preços no mercado privado. De acordo com o Metrópoles, versões que custavam entre R$ 1,7 mil e R$ 2 mil passaram a ser encontradas por R$ 300 a R$ 400 — uma queda de cerca de 70% — puxada pela chegada de genéricos e similares de semaglutida e liraglutida ao país. O governo também estuda estimular a produção nacional do princípio ativo.

A obesidade é hoje um dos principais desafios de saúde pública no Brasil, associada a doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. A entrada das canetas emagrecedoras na lista de medicamentos gratuitos do SUS depende ainda de avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por aprovar novos tratamentos na rede pública.

Enquanto o protocolo não é publicado, pacientes interessados devem buscar orientação médica no próprio SUS para entrar nos grupos de estudo já em andamento ou aguardar a divulgação oficial dos critérios de acesso ao tratamento gratuito.

Fontes consultadas nesta apuração

  • caneta emagrecedora
  • semaglutida
  • liraglutida
  • sus
  • obesidade
  • ministerio da saude
  • alexandre padilha
  • lula

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