O Republicanos oficializou neste sábado (1º/8), em convenção no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, a candidatura do governador Tarcísio de Freitas à reeleição. O evento teve no palanque o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato do PL à Presidência, e reuniu dirigentes de mais de dez legendas aliadas, segundo o Brasil de Fato.
A chapa majoritária repete a fórmula de 2022: Felício Ramuth (MDB) segue como candidato a vice-governador. Para as duas vagas paulistas ao Senado, a coligação lançou os nomes do deputado Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança Pública do estado, e de André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa.
Uma aliança larga, mas com caciques ausentes
O Tempo informou que Tarcísio entra na disputa com apoio de 12 partidos, entre eles MDB, PL, PSD, União Brasil, PP, Podemos, PSDB, Cidadania, Avante, Novo e PRD. O tamanho da coligação dá ao governador musculatura em prefeituras, na Assembleia paulista e no Congresso.
Vários presidentes nacionais dessas siglas, porém, não apareceram. Segundo O Tempo, faltaram Valdemar Costa Neto (PL), Gilberto Kassab (PSD), Ciro Nogueira (PP) e Antônio Rueda (União Brasil). Kassab afirmou em redes sociais, conforme relatou o Brasil de Fato, que evitou o evento para não gerar "constrangimentos" diante da presença de Flávio — o dirigente do PSD é candidato a vice na chapa presidencial de Ronaldo Caiado.
Estiveram presentes o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e os dirigentes Baleia Rossi (MDB), Marcos Pereira (Republicanos) e Renata Abreu (Podemos).
Flávio no palanque, sem aliança nacional
Apesar da presença do senador, o Republicanos deve manter neutralidade na disputa presidencial. A posição, apurou O Tempo, será confirmada na convenção nacional do partido, marcada para 4 de agosto, em Brasília. Segundo o Brasil de Fato, o presidente estadual da sigla declarou apoio a Flávio em São Paulo, mesmo sem acordo formal em âmbito nacional com o PL.
No discurso, ainda de acordo com o Brasil de Fato, Flávio relembrou o episódio em que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, analisou o currículo de Tarcísio antes de nomeá-lo ministro da Infraestrutura. O candidato prometeu facilitar financiamentos ao estado e à capital se eleito e acusou o governo Lula de dificultar o repasse desses recursos aos paulistas.
O aceno ao eleitorado feminino
Lideranças da direita usaram o evento para falar às mulheres, segmento em que Flávio tem baixa adesão nas pesquisas, informou o SBT News. "Flávio e Tarcísio precisam de vocês", disse Ricardo Nunes ao chamar a esposa ao palco. Marcos Pereira rebateu a ideia de que o campo não respeita as eleitoras: "Quando disserem que nós — e quando eu estou falando nós, eu estou falando do governador Tarcísio de Freitas e do Flávio Bolsonaro — não respeitamos as mulheres, que nós não valorizamos as mulheres, isto é mentira".
O SBT News associou o aceno também à acusação recente da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que disse ter sido humilhada por Flávio. Os relatos publicados da convenção não registram manifestação do senador sobre o episódio.
O que ainda falta
Pelo calendário do TSE, partidos e federações têm até segunda-feira (5) para realizar convenções, definir coligações e fechar as chapas. Flávio Bolsonaro ainda não tem vice: o PP barrou a ida da senadora Tereza Cristina (PP-MS) para a chapa e decidiu ficar neutro na eleição presidencial.
Na corrida estadual, levantamento Quaest divulgado em 29 de julho e citado pelo Brasil de Fato aponta Tarcísio com 41% das intenções de voto, contra 26% de Fernando Haddad (PT). Também disputam o governo paulista Vera Lúcia (PSTU), Carlos Machado (PCB), Izadora Dias (PCO) e Vivian Mendes (UP).