Trump cancela ataque ao Irã e cobra acordo sobre Ormuz
Presidente americano diz que suspendeu ofensiva a pedido de Teerã e de países da região; agência iraniana chama anúncio de "mais uma mentira"
Redação Apuramos
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Presidente americano diz que suspendeu ofensiva a pedido de Teerã e de países da região; agência iraniana chama anúncio de "mais uma mentira"
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na noite deste sábado (1º) que cancelou um ataque de grande escala já preparado contra o Irã. A decisão, publicada em sua rede social Truth Social, foi condicionada ao fechamento rápido de um acordo que, segundo ele, incluiria a reabertura imediata do Estreito de Ormuz e o fim do programa nuclear iraniano.
O anúncio veio um dia depois de a imprensa americana informar que Washington e Israel preparavam bombardeios contra a infraestrutura de energia iraniana — usinas elétricas e unidades petroquímicas —, na que seria uma das ofensivas mais duras desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
Segundo a publicação, reproduzida pela CNN Brasil e pela Associated Press, as Forças Armadas americanas estavam "prontas e municiadas" para agir contra o Irã com um nível de "terror, força e poder militar nunca visto desde a Segunda Guerra Mundial".
Trump afirmou que o próprio governo iraniano e "outros países do Oriente Médio" pediram que os EUA segurassem a ofensiva porque "os perímetros de um acordo já haviam sido aprovados". Ele disse ter concordado em "cancelar o ataque, sujeito a conseguir fechar rapidamente um ACORDO", e acrescentou que Israel aderiu ao compromisso.
O entendimento, ainda conforme o presidente, traria a "abertura imediata, completa e total do Estreito de Ormuz" e o fim do que chamou de "ameaça nuclear" iraniana. O Irã sustenta que seu programa atômico tem fins exclusivamente pacíficos.
Horas antes do anúncio, o site americano Axios informou que o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, telefonou para Trump no sábado pedindo que os ataques fossem cancelados e que Washington voltasse à mesa de negociação. Segundo o Axios, Catar, Emirados Árabes Unidos, Turquia e Paquistão também pressionaram os dois lados por desescalada.
Na sexta-feira (31), Trump havia sinalizado o contrário durante reunião ministerial, ao dizer que os EUA iriam "atingi-los com muita força". No sábado, o Departamento de Estado emitiu alertas de segurança para americanos em dez países da região, recomendando cautela redobrada e, em alguns casos, a saída.
Não houve manifestação oficial de Teerã até a publicação desta reportagem. A agência semioficial iraniana Mehr, ligada ao governo, classificou a versão de Trump como "simplesmente mais uma mentira", citando autoridades militares que não teve os nomes revelados — informação divulgada pela NPR.
Mais cedo no sábado, o chanceler iraniano Abbas Araghchi disse ao ministro saudita das Relações Exteriores, príncipe Faisal bin Farhan, que qualquer "ação hostil" dos EUA ou de Israel — ou a colaboração de países da região nessas ações — teria uma "resposta decisiva e proporcional" das forças armadas iranianas.
O general Ali Abdollahi, chefe do comando militar de guerra do Irã, havia declarado no mesmo dia que os EUA avançam "em ritmo acelerado para atiçar as chamas de uma guerra regional total", segundo apurou a Al Jazeera.
O Estreito de Ormuz é o corredor marítimo por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado no mundo. Está fechado à navegação não autorizada pela Guarda Revolucionária iraniana desde o início do conflito, o que pressiona preços de energia e cadeias de suprimento globais.
Na sexta-feira, a Guarda Revolucionária afirmou ter atingido dois navios-tanque que tentavam cruzar o estreito sob escolta aérea americana e ter feito outras quatro embarcações voltarem. No sábado, o Exército do Kuwait informou ter derrubado drones iranianos em seu espaço aéreo, com danos materiais e sem vítimas.
Não há prazo público para a conclusão do acordo citado por Trump, nem detalhes sobre um eventual cronograma de reabertura do estreito. É a mais recente de uma série de reviravoltas desde fevereiro: em ocasiões anteriores, o presidente americano suspendeu ataques para negociar e retomou os bombardeios quando a diplomacia travou.
Uma pesquisa do instituto AP divulgada nesta semana apontou que quase dois terços dos americanos consideram que a guerra não vale o esforço.
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