Apuramos.

Lemos todas as fontes. Você decide.

Sobre
Mundo

Trump diz negociar com Irã e ameaça retomar ataques; Teerã nega

Presidente dos EUA fala em "negociações muito profundas" pela reabertura do Estreito de Ormuz; chancelaria iraniana afirma que não há conversa em curso com Washington

Publicado em

Trump diz negociar com Irã e ameaça retomar ataques; Teerã nega
Dylan McLeod/Unsplash — imagem ilustrativa

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (27) que Washington está em "negociações muito profundas" com o Irã e ameaçou retomar "uma ação militar muito forte" caso as conversas fracassem. Poucas horas antes, o governo iraniano havia negado publicamente que exista qualquer negociação em andamento com os americanos.

O que disse Trump

A declaração mais dura saiu de uma entrevista ao site americano Axios, reproduzida no Brasil pelo Diário do Grande ABC: "Estamos em negociações muito profundas com o Irã. Se elas não derem certo, voltaremos a uma ação militar muito forte". Questionado sobre quanto tempo daria à diplomacia, Trump respondeu: "Não muito tempo. Ou acontece rápido ou não acontece nada."

Mais cedo, a bordo do Air Force One, o republicano adotou tom mais otimista. "Tenho muita paciência... Veremos o que acontece. Acho que há boas chances de que algo possa acontecer", disse, segundo a AFP. Ele também rejeitou a versão de que os EUA estejam com estoques baixos de munição: "Temos muita munição. Gostaria de ter mais, para ser sincero, mas foi enviada uma quantidade muito grande para a Ucrânia."

Segundo Trump, a decisão de parar os bombardeios veio a pedido de mediadores e de outros países do Oriente Médio. "Todas as pessoas que lidam com o Irã me pediram: 'Não atire'", afirmou ao Axios. Foi a primeira pausa desde a retomada das hostilidades, no início de julho. As fontes divergem sobre a data exata: a AFP registra os combates suspensos desde sábado, enquanto o relato do Axios situa a ordem de Trump na sexta-feira.

A versão de Teerã

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, desmentiu a existência de tratativas em entrevista coletiva. "Os mediadores podem nos transmitir mensagens da parte americana sobre os acontecimentos mais recentes na região. Mas, no momento, não estamos envolvidos em nenhuma negociação com os EUA", declarou.

Baqaei também negou que Teerã tenha pedido diálogo e afirmou que as conversas recentes com Omã sobre a administração do Estreito de Ormuz são bilaterais e "não têm nada a ver com os Estados Unidos". A via marítima, acrescentou, "permanece fechada". O porta-voz classificou a conduta americana dos últimos anos como semelhante à de "uma organização mafiosa que não respeita nenhuma norma nem nenhuma lei".

O comando militar conjunto iraniano afirmou ainda que tratará qualquer tentativa dos EUA de impor um bloqueio marítimo "ilegal" como uma escalada do conflito regional, segundo a Al Jazeera.

O que está em negociação

De acordo com o Axios, as tratativas giram em torno de um acordo que permita reabrir o Estreito de Ormuz e da retomada de conversas sobre um tratado nuclear amplo. A condução é principalmente entre Irã e Omã, com participação ativa de Catar, Paquistão, Egito e dos enviados de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner.

O chanceler de Omã, Badr al-Busaidi, falou por telefone nesta segunda-feira com colegas do Irã, Catar, Arábia Saudita, Kuwait e Egito. Em comunicado, disse que as conversas se concentraram em "acordos práticos, justos e sustentáveis para a navegação marítima" no estreito. Uma das ideias em discussão, segundo fontes regionais ouvidas pelo Axios, é autorizar que Irã, Omã e outros países da região cobrem "taxas de serviço razoáveis" por segurança marítima e proteção ambiental, em modelo parecido com o do Estreito de Malaca.

Outras frentes do conflito

A guerra segue ativa fora do estreito. A Arábia Saudita informou ter interceptado drones lançados do Iraque por grupos aliados de Teerã e cobrou de Bagdá medidas para impedir que seu território seja usado como ponto de partida de ataques. Os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, reivindicaram nesta segunda-feira novas ofensivas com drones contra instalações petrolíferas sauditas no Mar Vermelho.

O embaixador americano na ONU, Mike Waltz, havia dito no domingo (26) que Trump está "dando algum espaço às conversas", mas que os EUA seguem "prontos" para atacar e deslocaram mais recursos militares para a região.

Antes da guerra, iniciada no fim de fevereiro com uma onda de ataques dos Estados Unidos e de Israel, cerca de um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos passava pelo Estreito de Ormuz. Com a trégua, o petróleo se estabilizou na casa dos US$ 86 o barril, informou a AFP.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Irã
  • Estados Unidos
  • Donald Trump
  • Estreito de Ormuz
  • Oriente Médio
  • Omã
  • petróleo

Mais de Mundo