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Trump diz que negociação com Irã começa segunda; Teerã nega canal

Presidente americano afirmou a bordo do Air Force One que as conversas com a República Islâmica começam na tarde desta segunda-feira (3). O governo iraniano diz que só negocia com Omã e que o Estreito de Ormuz segue fechado.

Redação Apuramos

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Trump diz que negociação com Irã começa segunda; Teerã nega canal
Dylan McLeod/Unsplash — imagem ilustrativa

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite deste domingo (2) que as negociações com o Irã começam nesta segunda-feira (3), poucos dias depois de anunciar o adiamento de novos ataques contra o país. A declaração foi dada a jornalistas a bordo do avião presidencial Air Force One e reproduzida pela agência AFP.

"Eles obviamente não querem ser atacados. Sabiam a dimensão do ataque porque o viram sendo preparado", disse Trump, segundo a AFP. "Agora, o que estamos fazendo é conversar com eles por meio de negociações. Isso começa amanhã à tarde."

Há divergência sobre o horário. A AFP registra que Trump falou em "amanhã à tarde"; já a emissora Al Jazeera, citada pelo Estadão Conteúdo, informou que o republicano disse que as conversas devem começar na noite de segunda-feira. Até a publicação desta reportagem, Trump não havia detalhado o encontro em seu perfil na rede Truth Social.

Teerã diz que não há canal aberto com Washington

O governo iraniano contesta a versão americana. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou à televisão estatal iraniana que o país negocia apenas com Omã e que não há qualquer canal aberto com os Estados Unidos sobre a suspensão de ataques, conforme apurou a agência espanhola EFE e publicou a Gazeta do Povo.

Integrantes da equipe negociadora iraniana foram além. À agência semioficial Fars, disseram que a versão de Trump sobre um entendimento em torno de Ormuz "é simplesmente falsa". Responsáveis militares ouvidos sob anonimato pela mesma agência afirmaram que, "enquanto continuarem os atos hostis e maliciosos dos Estados Unidos, o estreito seguirá fechado". A agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, também desmentiu o anúncio feito por Trump no sábado (1º).

Negociação com Omã está em "fase final"

Em paralelo, o chanceler iraniano Abbas Araghchi informou ao gabinete de governo — em relatório divulgado pela Tasnim — que as conversas com Omã sobre a gestão do Estreito de Ormuz estão em fase final. Segundo a agência estatal IRNA, o objetivo é estabelecer um protocolo para supervisionar e coordenar o tráfego marítimo e garantir a passagem segura de navios.

Teerã sustenta que esse entendimento trata exclusivamente da criação de uma nova rota de navegação, distinta das duas discutidas até agora — a rota norte, defendida pelo Irã, e a rota sul, proposta por Omã no início de julho —, e que ele não se relaciona nem à reabertura nem ao fechamento do canal, tampouco ao anúncio de Trump.

Arábia Saudita pede diálogo e Rússia reclama de contradições

Segundo comunicado da agência saudita SPA, o príncipe herdeiro Mohamed bin Salman telefonou a Trump neste domingo para pedir que priorize o diálogo e evite um "conflito mais amplo" na região. O contato ocorreu depois de o Irã ameaçar, na sexta-feira (31), fazer os vizinhos árabes "arderem no fogo da guerra" em caso de ataque americano em grande escala.

A Rússia, aliada de Teerã, manifestou irritação com o andamento das tratativas. O representante permanente russo na ONU, Mikhail Ulyanov, escreveu em redes sociais neste domingo que as conversas estão virando uma confusão: "Aqui começa a haver declarações contraditórias demais sobre a busca de um acordo, e a maioria vem de Washington."

Relembre o caso

O Irã decretou o fechamento da rota em 12 de julho, em resposta a bombardeios americanos motivados por ataques iranianos contra navios comerciais. Os Estados Unidos, por sua vez, mantêm bloqueio naval sobre portos e embarcações iranianas na região. Antes do início da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel, o Estreito de Ormuz respondia por cerca de um quinto de todo o petróleo transportado por mar no mundo.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Irã
  • Estados Unidos
  • Donald Trump
  • Estreito de Ormuz
  • Oriente Médio
  • Omã

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