O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu nesta quarta-feira (29) uma resposta militar "dura" ao Irã, horas depois de a Guarda Revolucionária iraniana lançar mísseis balísticos contra uma base que abriga tropas americanas na Jordânia. "Vamos atingi-los com força. Eles vão levar uma surra", disse Trump ao correspondente da Fox News Trey Yingst na manhã desta quarta.
Em outro trecho da entrevista, o presidente recorreu a um palavrão para prometer que os EUA vão "arrebentar" os iranianos — a própria emissora censurou parte da frase ao publicá-la. A fala, replicada por veículos como CNN e The Hill, encerrou de vez a calmaria que vinha sendo costurada pela diplomacia nos últimos dias.
O ataque da madrugada
Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), a Guarda Revolucionária disparou vários mísseis balísticos a partir do território iraniano na tentativa de surpreender as forças americanas na região. "Todos os mísseis iranianos foram interceptados com sucesso, e as forças dos EUA permanecem vigilantes e em alerta máximo", informou o comando.
Em comunicado divulgado pela agência estatal iraniana Irna, a Guarda afirmou que os alvos eram a base aérea de Muwaffaq Salti e um quartel-general do Centcom em solo jordaniano. As Forças Armadas da Jordânia confirmaram na manhã desta quarta a interceptação e destruição de cinco mísseis, sem registro imediato de vítimas ou danos, segundo o site israelense Ynet, que cita agências internacionais.
À Fox News, Trump afirmou que as tropas tiveram poucos minutos para derrubar os projéteis e disse ter assistido a vídeo em que militares anunciam coordenadas em tempo real durante as interceptações.
Resposta no Iraque e o outro lado
Cerca de duas horas após o ataque iraniano, aviões dos EUA e da Arábia Saudita bombardearam em conjunto posições de milícias pró-Irã no leste do Iraque, atingindo depósitos de armas e instalações de logística, de acordo com o Centcom. O comando justificou a ofensiva citando mais de 30 ataques de drones dirigidos pela Guarda Revolucionária nas 72 horas anteriores e afirmou que milícias iraquianas ligadas ao Irã somaram mais de 600 ataques contra americanos e suas instalações entre fevereiro e abril.
As Forças de Mobilização Popular, organização que reúne milícias apoiadas pelo Irã no Iraque, confirmaram que seus quartéis foram atingidos e classificaram os bombardeios como "escalada altamente perigosa" e "violação da soberania iraquiana". Um balanço iraquiano citado pela Ynet fala em 8 mortos e 4 feridos; registros divulgados mais cedo ao longo do dia chegaram a mencionar ao menos 10 mortos.
Trégua por um fio
A guerra entre Estados Unidos e Israel de um lado e Irã do outro começou no fim de fevereiro, e na semana passada Washington chegou a suspender os bombardeios para, nas palavras do embaixador americano na ONU, Mike Waltz, "dar espaço à diplomacia" — com negociações mediadas por Omã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, apurou a CBS News.
Na terça (28), porém, o vice-chanceler iraniano Kazem Gharibabadi disse que Teerã não negocia diretamente com Washington e que o país tomará "qualquer ação" para manter o controle de Ormuz, segundo a Al Jazeera. No mesmo dia, Trump recebeu o premiê israelense Benjamin Netanyahu na Casa Branca, em reunião descrita pelo governo americano como "positiva e produtiva".
A base de Muwaffaq Salti já havia sido atacada em 17 de julho, quando dois militares americanos morreram — as primeiras baixas dos EUA desde a retomada das hostilidades neste mês. Balanço divulgado pelo Centcom no dia 20 aponta 17 militares americanos mortos desde o início da guerra. O temor de nova escalada voltou a pressionar o preço do petróleo nesta quarta-feira.