O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe nesta terça-feira (28) o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em encontros separados na Casa Branca. A rodada dupla acontece em um momento de pausa nos bombardeios americanos contra o Irã e de pressão de Kiev por mais armas — e marca a primeira conversa presencial entre Trump e Netanyahu desde o início da guerra com os iranianos, que completa exatamente cinco meses nesta terça, segundo a ABC News.
Zelensky pede "paz digna" e mais armas
Zelensky será o primeiro a ser recebido, informou a Euronews. "Estamos nos preparando para uma reunião com o presidente dos Estados Unidos e sua equipe", disse o ucraniano, acrescentando esperar que Washington "continue a apoiar a Ucrânia e que possamos encerrar esta guerra com uma paz digna".
O encontro ocorre horas depois de mais uma noite de ataques de longo alcance: mais de 390 drones ucranianos atingiram a região de Moscou na madrugada, com danos a prédios residenciais, segundo autoridades russas citadas pela Euronews.
Na pauta de Zelensky também está a escassez de mísseis de defesa aérea. No início do mês, à margem da cúpula da Otan em Ancara, Trump anunciou licença para a Ucrânia fabricar interceptadores do sistema Patriot, apurou a ABC News. O ucraniano ainda acusa a Rússia de ajudar o Irã com vigilância por satélite de bases americanas no Oriente Médio — acusação sobre a qual Trump prometeu cobrar explicações: "Vou perguntar ao Putin. Vamos descobrir", disse a jornalistas na segunda (27).
Netanyahu e Trump tentam reaproximação
A visita de Netanyahu, a primeira a Washington desde fevereiro, ocorre após semanas de atritos públicos — Trump chegou a chamar o israelense de "louco" e a declarar que "sem mim, não haveria Israel", segundo a ABC News. Questionado na véspera se os dois estão alinhados sobre o Irã, o presidente americano respondeu: "Temos uma pequena diferença, mas estamos bem próximos".
Antes de embarcar, Netanyahu afirmou, segundo a Euronews: "Esta é uma grande responsabilidade. Vamos discutir todos os temas da agenda, antes de tudo o Irã. Nosso objetivo é garantir a nossa segurança e ampliar o círculo de paz ao nosso redor".
Autoridades israelenses e americanas confirmaram à ABC News que Netanyahu não teria sido consultado sobre o memorando de entendimento fechado entre EUA e Irã, que prevê cessar-fogo de 60 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz. Israel também vê com preocupação o acordo de energia nuclear civil dos EUA com a Arábia Saudita e a possível venda de caças F-35 à Turquia. "Ninguém me diz o que devemos vender", rebateu Trump.
Trégua com o Irã em teste
Trump ordenou na véspera a suspensão dos bombardeios contra o Irã para tentar um acordo. "Estamos em conversas muito profundas com o Irã. Se não derem resultado, voltaremos às ações militares contundentes", declarou ao site Axios, segundo o El Español. Teerã, porém, nega publicamente que haja negociações em curso com Washington, como afirmou o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, de acordo com a ABC News.
Nos bastidores da diplomacia regional, o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, conversou por telefone com os colegas da Arábia Saudita e de Omã sobre a segurança no Estreito de Ormuz. Omã teria proposto um mecanismo regional de financiamento por cotas voluntárias, nos moldes do que existe no Estreito de Malaca, segundo a Reuters, citada pelo El Español. Nesta terça, Israel e Jordânia informaram ter interceptado drones perto de suas fronteiras, sem identificar a origem dos lançamentos.
Funeral de Lindsey Graham
Zelensky e Netanyahu também participam nesta terça, em Washington, do funeral do senador republicano Lindsey Graham, morto neste mês aos 71 anos. Aliado histórico de Israel e crítico do Irã, Graham havia se reunido com Zelensky em Kiev na véspera de sua morte e articulava no Senado um projeto para endurecer as sanções contra a Rússia, segundo a ABC News.