Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, devem se encontrar nesta quinta-feira (24) em Washington, em uma cúpula que deve definir os próximos passos da relação comercial entre as duas maiores economias do mundo. A data ainda não tem confirmação oficial de ambos os governos, segundo o site Seu Dinheiro.
O principal item da pauta é a extensão da trégua tarifária firmada em outubro de 2025, que expira em 10 de novembro. Segundo o Seu Dinheiro, as negociações devem envolver o setor agrícola, barreiras não tarifárias e reduções de tarifas que cobrem cerca de US$ 30 bilhões em produtos.
Terras raras e minerais críticos também entram na mesa. A China pressiona por mais liberação desses insumos, essenciais para tecnologia e defesa, enquanto os americanos querem avançar em regras de governança de inteligência artificial ligadas à segurança nacional, ainda de acordo com o veículo.
Taiwan é outro ponto sensível. A China busca uma sinalização americana contrária à independência da ilha, enquanto um pacote de US$ 14 bilhões em armas para os taiwaneses está sobre a mesa. Trump já classificou o pacote como "moeda de troca" nas negociações, segundo reportagem do Brasil247.
A guerra no Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz também devem ser discutidas. Os Estados Unidos esperam que Xi pressione Teerã a encerrar o conflito, mas a China mantém relações comerciais bilionárias com os iranianos, o que limita o espaço de manobra de Pequim. O controle do fluxo de precursores químicos do fentanil, droga que alimenta uma crise de saúde pública nos EUA, é outro tema da lista.
Segundo o Brasil247, Xi chega ao encontro em posição fortalecida. O superávit comercial global da China caminha para superar US$ 1 trilhão pelo segundo ano consecutivo, e mais da metade das categorias de produtos chineses vendidos aos Estados Unidos registrou crescimento mesmo sob tarifas americanas.
"Xi não está realmente buscando nada tangível. Ele quer estender o acordo de cavalheiros com Trump", afirmou um especialista da Brookings Institution ao Brasil247, referindo-se à trégua comercial selada no ano passado.
O contexto político também pesa. Trump enfrenta queda de popularidade nos Estados Unidos e desgaste com a guerra contra o Irã, o que reduz seu poder de barganha diante de um governo chinês que, segundo analistas ouvidos pelo Brasil247, não busca "acordos mais abrangentes" nesta rodada — apenas a manutenção do status quo comercial.
Apesar da expectativa em torno do encontro, o mercado financeiro trabalha com um cenário mais contido. Uma pesquisa do Goldman Sachs citada pelo Seu Dinheiro mostra que dois terços dos investidores preveem uma visita "amplamente simbólica", sem grandes anúncios de acordos.
Ainda assim, o resultado da cúpula deve influenciar o câmbio global, as tarifas internacionais e as bolsas de valores — com reflexos indiretos sobre investimentos brasileiros em renda fixa e ações, segundo o Seu Dinheiro.
O encontro em Washington é a etapa final de uma sequência de negociações entre as delegações dos dois países. Na semana passada, autoridades americanas e chinesas já haviam se reunido em Nova York para alinhar a agenda antes da chegada de Xi aos Estados Unidos.