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TSE reúne embaixadores para explicar urnas após veto a enviados dos EUA

Encontro marcado para 17 de agosto foi anunciado nesta segunda (27), dias depois de o Itamaraty negar visto a dois funcionários do Departamento de Estado que, segundo o Washington Post, queriam questionar o sistema eleitoral brasileiro

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TSE reúne embaixadores para explicar urnas após veto a enviados dos EUA
Fabian Lozano/Unsplash — imagem ilustrativa

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai reunir, no dia 17 de agosto, embaixadores, representantes diplomáticos e integrantes de organismos internacionais para apresentar em detalhe o funcionamento das urnas eletrônicas e as etapas de segurança do sistema eleitoral brasileiro. O anúncio, divulgado nesta segunda-feira (27), ocorre dias depois de o governo brasileiro negar vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos que, segundo o jornal The Washington Post, planejavam questionar a confiabilidade do processo eleitoral às vésperas das eleições de outubro.

A reunião de 17 de agosto

O encontro será conduzido pelo presidente da Corte, ministro Kássio Nunes Marques, e integra as ações de transparência do tribunal voltadas à comunidade internacional, apurou o Correio Braziliense. Segundo o jornal, a reunião ocorrerá na sede do TSE, em Brasília — a CNN Brasil, que revelou a data pela manhã, fala em evento no Supremo Tribunal Federal (STF). Na pauta, o detalhamento das etapas de desenvolvimento, auditoria e fiscalização das urnas, que completam 30 anos de uso em 2026.

O TSE também confirmou que o pleito de outubro terá missões internacionais de observação, com representantes da União Europeia, da Organização dos Estados Americanos (OEA), do Parlasul, do Carter Center, da Uniore e da Rojae-CPLP, de acordo com o Correio Braziliense.

O veto aos enviados de Washington

Na sexta-feira (24), o Itamaraty negou os vistos de Riley Barnes, subsecretário do Departamento de Estado para a Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e do subsecretário adjunto Samuel Samson — a confirmação foi feita pelo Ministério das Relações Exteriores no sábado (25), segundo a Agência Brasil. Os dois respondem diretamente ao secretário de Estado, Marco Rubio, apontado pela CNN Brasil como um dos principais aliados da família Bolsonaro em Washington.

Reportagem do Washington Post revelou que a dupla pretendia preparar um ataque à confiabilidade das urnas e do sistema eleitoral brasileiro. O governo brasileiro classificou a visita, nesse contexto, como "instrumentalização política", de acordo com a Agência Brasil. O pedido de visto foi apresentado em 20 de julho, informou a CartaCapital — um dia antes de o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) afirmar a diplomatas, sem apresentar provas, que parte das urnas brasileiras seria da venezuelana Smartmatic. O TSE desmentiu a alegação no dia 22 e reiterou que a empresa nunca forneceu urnas nem softwares: os equipamentos são projetados pela própria Justiça Eleitoral e produzidos por empresas contratadas em licitação pública.

O que dizem os EUA

O Departamento de Estado negou qualquer intenção de interferência. Em comunicado enviado ao UOL e reproduzido pela CartaCapital, a pasta afirmou que se tratava de uma "visita rotineira" para discutir integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão. "Qualquer insinuação de que a visita seria uma artimanha para prejudicar as eleições de uma nação democrática é uma mentira infundada", diz a nota.

Reações no Brasil

No sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu em tom de advertência durante convenção do PT em São Paulo. "Quem quiser de fora vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores", declarou, segundo a CNN Brasil, acrescentando que "ninguém de fora" deve "meter o dedo" no pleito.

O chefe da assessoria internacional da Presidência, Celso Amorim, classificou a missão como "uma interferência que desrespeita a nossa soberania". Ministros do TSE e do STF ouvidos reservadamente pela CNN Brasil chamaram a iniciativa americana de "ousadia", mas ressaltaram que a presença de observadores estrangeiros convidados é prática comum e bem-vinda nas eleições brasileiras — caso das missões já confirmadas para outubro.

Fontes consultadas nesta apuração

  • TSE
  • urnas eletrônicas
  • eleições 2026
  • EUA
  • Donald Trump
  • Marco Rubio
  • Flávio Bolsonaro
  • Itamaraty

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