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Ucrânia hoje (08/09): Rússia volta a bombardear Kiev após trégua

Pausa de três dias combinada para a visita dos enviados de Donald Trump expirou na noite de segunda-feira. Zelensky diz que os americanos levaram "ideias decentes" e quer reunião trilateral ainda em setembro.

Redação Apuramos

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Jade Koroliuk/Unsplash — imagem ilustrativa
Jade Koroliuk/Unsplash — imagem ilustrativa

A Rússia voltou a bombardear Kiev na madrugada desta terça-feira (8/9), horas depois de expirar a trégua de três dias que Moscou e Kiev haviam combinado para a visita dos enviados do presidente americano Donald Trump. Segundo a Al Jazeera, dois prédios residenciais foram danificados na capital ucraniana.

Drones atingiram alvos em Kiev e nos distritos de Boryspil e Fastiv, nos arredores da cidade, de acordo com o Serviço Estatal de Emergência da Ucrânia. A administração militar da capital publicou alerta aéreo pedindo que moradores procurassem abrigo diante da ameaça de novos ataques.

A agência estatal russa TASS confirmou que a suspensão dos bombardeios ordenada por Vladimir Putin expirou na noite de segunda-feira, no horário local. Em seguida, o governador russo Roman Busargin afirmou que um drone ucraniano atingiu infraestrutura civil em Saratov, a cerca de mil quilômetros de Moscou, deixando feridos. O número de vítimas nos dois episódios não havia sido confirmado.

Esta reportagem atualiza a cobertura publicada pelo Apuramos em 5 de setembro, quando os dois países anunciaram a pausa recíproca nos ataques às capitais enquanto os negociadores americanos circulavam entre Moscou e Kiev.

Apesar dos bombardeios, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, adotou tom positivo sobre a rodada diplomática. Em declarações a jornalistas nesta terça, reproduzidas pela Reuters, ele disse que os negociadores americanos Steve Witkoff e Jared Kushner apresentaram propostas aproveitáveis.

"Quanto ao pacote de paz de que Kushner falou e às novas ideias — posso dizer que realmente havia algumas ideias muito decentes e válidas", afirmou. Zelensky não deu detalhes, alegando que Kiev concordou com os enviados em trabalhar nas propostas antes de torná-las públicas.

Ainda segundo a Reuters, o ucraniano pretende se encontrar com Trump ainda em setembro para discutir um pacote de apoio à defesa aérea para o inverno. Ele afirmou também que representantes da Ucrânia, dos Estados Unidos e da Europa vão se reunir em breve para preparar um encontro trilateral, que poderia ser sediado pela Turquia, pelos Emirados Árabes Unidos, pela Suíça ou por outro país.

Entre os temas previstos estão os embarques de grãos, a infraestrutura energética e a ampliação das trocas de prisioneiros de guerra. "Precisamos não apenas discutir, mas alcançar resultados concretos", disse Zelensky.

As reuniões do fim de semana não produziram avanço concreto sobre como encerrar o conflito, que entrou no quinto ano. Uma das travas centrais é o destino do território que a Ucrânia ainda controla no leste do Donbas, região reivindicada por Moscou e que as forças russas não conseguiram tomar apesar de anos de combates.

Depois das conversas em Kiev, Witkoff declarou, em fala reproduzida pela Al Jazeera: "Tivemos uma discussão muito significativa, substantiva, importante, e estamos muito encorajados". O assessor do Kremlin Yury Ushakov classificou como "altamente útil" a reunião de mais de três horas com Putin em Moscou, no sábado. Um funcionário da Casa Branca disse à Reuters que os próximos passos serão anunciados nas próximas semanas.

O quadro, porém, segue distante de um cessar-fogo amplo. Em 4 de setembro, conforme o Metrópoles, Zelensky havia proposto à Rússia uma trégua aérea recíproca pelo tempo necessário para as negociações. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, mantém a posição de que uma cúpula entre Putin e Zelensky só ocorreria depois de acordos prévios fechados pelas delegações.

Segundo a PBS NewsHour, com reportagem da Associated Press, a pausa havia sido anunciada por Peskov como uma ordem de Putin para que não houvesse ataques a Kiev por três dias, enquanto Zelensky se comprometeu a não atingir Moscou no mesmo período. A invasão em larga escala da Ucrânia começou em 24 de fevereiro de 2022.

Fontes consultadas nesta apuração

  • ucrânia
  • rússia
  • kiev
  • guerra na ucrânia
  • zelensky
  • putin
  • donald trump
  • steve witkoff
  • jared kushner

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