Os embaixadores dos países da União Europeia aprovaram nesta quarta-feira (30) a ampliação da operação naval EUNAVFOR MED Irini, no Mediterrâneo, para combater a chamada "frota fantasma" da Rússia, formada por petroleiros usados para driblar sanções internacionais. A informação é da Euronews.
Segundo a agência, o mandato atual da missão termina em março de 2027 e passa a valer até 31 de março de 2029, com orçamento de 16,88 milhões de euros. A adoção formal da decisão é esperada para 9 de outubro, em reunião de ministros de Economia e Finanças do bloco.
O que muda na missão
A Irini foi criada em 2020 para fiscalizar o embargo de armas da ONU à Líbia. De acordo com a Euronews, o novo mandato inclui de forma explícita o monitoramento das atividades da frota fantasma russa e a detecção de atividades marítimas ilícitas.
A missão também passa a proteger infraestrutura crítica submarina, como cabos de fibra óptica e gasodutos, a testar novas tecnologias de proteção marítima e a reforçar a coleta de informações sobre redes de tráfico de migrantes. A cooperação naval com Egito, Tunísia e Líbano será ampliada, além da já existente com a Líbia.
Continuam no escopo a fiscalização do embargo de armas à Líbia, o monitoramento de exportações ilícitas de petróleo e o apoio à capacitação da guarda costeira líbia.
Abordagens já realizadas
Em junho, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, anunciou que a operação havia mudado suas regras de engajamento e passado a abordar navios suspeitos de pertencer à frota fantasma, segundo a Euronews.
De acordo com o USNI News, o navio italiano ITS Thaon di Revel, capitânia da Irini, abordou em 30 de agosto o petroleiro MV Sun, com bandeira de Camarões, ao sul da Sicília, para verificar sua bandeira. Foi a sexta embarcação suspeita abordada por forças europeias nos últimos meses e a segunda pela Irini em agosto, depois do MT Toa Payoh, em 2 de agosto. A contagem de seis abordagens também foi citada por Kallas, segundo o site Meduza.
Reação russa
Ainda conforme o USNI News, o presidente russo, Vladimir Putin, avisou em 12 de agosto que haveria retaliação: "Se isso acontecer, teremos que retribuir". O veículo também relata que a Rússia adotou contramedidas, como rotas mais longas e escoltas navais para navios de bandeira russa.
Por que importa
A frota fantasma reúne embarcações, muitas vezes com bandeiras de conveniência e documentação questionável, que transportam petróleo russo apesar das sanções ocidentais. A extensão do mandato até 2029 indica que a UE pretende manter a pressão sobre esse tipo de operação por um período longo, num cenário em que Moscou já ameaça responder na mesma moeda.
O Apuramos acompanha o tema e atualiza esta matéria caso haja novos desdobramentos.