Vivaxin: Anvisa libera testes de vacina brasileira contra malária
Imunizante da UFMG mira o Plasmodium vivax, para o qual ainda não existe vacina no mundo. Estudo de fase 1 terá 48 voluntários.
Redação Apuramos
Publicado em
Imunizante da UFMG mira o Plasmodium vivax, para o qual ainda não existe vacina no mundo. Estudo de fase 1 terá 48 voluntários.
Redação Apuramos
Publicado em
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta quarta-feira (7) o início dos testes em humanos da Vivaxin, vacina 100% brasileira contra a malária causada pelo Plasmodium vivax. O imunizante é desenvolvido pelo CTVacinas, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em colaboração com a Universidade de São Paulo (USP) e o laboratório Cristália.
Segundo o Estado de Minas, a liberação consta da Resolução RE nº 3.956, de 6 de outubro de 2026, que aprovou duas petições do CTVacinas: o dossiê de desenvolvimento clínico e o processo de pesquisa clínica.
Não há vacina contra o P. vivax
O P. vivax é a espécie de malária mais comum no Brasil e em outras regiões das Américas e da Ásia. De acordo com o jornal O Tempo, ainda não existe no mundo vacina contra esse parasita. As duas vacinas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a RTS,S/AS01 e a R21/Matrix-M, atuam contra outra espécie, o Plasmodium falciparum.
Como será o estudo
A pesquisa será de fase 1, etapa que avalia a segurança do imunizante, as reações às aplicações e a capacidade de estimular resposta imunológica. Os resultados orientarão as fases seguintes, que vão medir a proteção contra a doença.
Participarão 48 adultos saudáveis, de 18 a 59 anos, que nunca tiveram malária. Eles serão divididos em grupos que receberão três níveis de dose da vacina candidata ou placebo. Serão três aplicações, com intervalo de 28 dias entre elas, e o acompanhamento dura 360 dias, com avaliações clínicas e monitoramento.
De acordo com o Estado de Minas, o Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte, está listado como local do estudo. O jornal informa que os testes "poderão começar", ou seja, ainda não haviam sido iniciados na data da publicação.
O que dizem os pesquisadores
O coordenador do CTVacinas, Ricardo Gazzinelli, destacou a relevância do projeto. "Essa vacina pode ter um papel extremamente importante para eliminar a malária do nosso território", afirmou. Ele também ressaltou o peso econômico da doença: "Ela tem um impacto socioeconômico importante, porque a pessoa doente não pode trabalhar".
O projeto recebe recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Ministério da Saúde, por meio do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL).
Cenário da malária
O Relatório Mundial da Malária de 2025, da OMS, registrou cerca de 9,9 milhões de casos de P. vivax no mundo em 2024. Nas Américas, a espécie respondeu por 63,1% dos casos estimados de malária naquele ano.
No Brasil, o Ministério da Saúde contabilizou 118.037 casos de malária adquiridos no país em 2025, com mais de 99% concentrados na região amazônica. O Plano Nacional de Eliminação da Malária tem como meta interromper a transmissão local da doença até 2035.
Por ora, a Vivaxin é uma vacina candidata: a autorização da Anvisa permite apenas a fase inicial de testes, e a eficácia na proteção contra a malária só será avaliada em etapas posteriores.
Portaria do Ministério da Saúde reduz prazos de espera e permite que doadores habituais continuem doando após os 70 anos. Veja o que muda.
Viajante que chegou a Nairóbi no sábado (3) morreu na noite de segunda (5). Autoridades monitoram 28 contatos.
A Capvaxive, da MSD, é indicada para adultos a partir de 18 anos e inclui sete sorotipos que não estavam cobertos por outras vacinas disponíveis no Brasil. Ainda não há anúncio de preço nem de inclusão no SUS.