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Volkswagen corta projeção de lucro para até 1% em 2026

Montadora alemã prevê cerca de € 10 bilhões em despesas extraordinárias neste ano, com baixa contábil ligada à Porsche e crise no mercado chinês.

Redação Apuramos

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Alexander Grey/Unsplash — imagem ilustrativa
Alexander Grey/Unsplash — imagem ilustrativa

A Volkswagen anunciou nesta sexta-feira (18) um corte drástico na projeção de margem operacional para 2026, que agora deve ficar em até 1%, ante a estimativa anterior de 4% a 5,5%. A revisão veio acompanhada de um alerta sobre cerca de € 10 bilhões (R$ 58,9 bilhões) em despesas extraordinárias neste ano, segundo o portal especializado AutoData.

De acordo com a CNN Brasil, a maior parte do impacto vem de uma baixa contábil de aproximadamente € 6 bilhões (R$ 35,3 bilhões) relacionada à Porsche, marca de luxo que pertence em 75,4% à Volkswagen. A montadora alemã revisou as perspectivas de médio prazo para a divisão esportiva, cuja margem operacional já havia caído para apenas 1,1% no ano passado.

Sem os efeitos extraordinários, a margem operacional da Volkswagen ficaria perto de 4%, dentro do intervalo originalmente previsto, informou a AutoData. A companhia já havia registrado € 900 milhões (R$ 5,3 bilhões) em efeitos extraordinários no primeiro semestre deste ano.

O mercado reagiu mal ao anúncio. As ações da Volkswagen caíram 5,6%, as da Porsche recuaram 3,3% e os papéis da Porsche SE, holding que concentra a maior fatia de participação na montadora, tiveram queda de 4,9%, de acordo com a CNN Brasil.

Entre os fatores citados para a piora do cenário estão as tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos, a queda acentuada na demanda por marcas de luxo estrangeiras na China e a transição mais rápida do que o esperado para carros elétricos a bateria, que pressiona as margens das fabricantes tradicionais, segundo a CNN Brasil.

A AutoData também associa a revisão aos custos de reestruturação: a Volkswagen ampliou programas de aposentadoria antecipada e negocia a venda de uma fábrica em Osnabrück, na Alemanha, dentro de um plano mais amplo de redução de custos e de capacidade ociosa nas linhas de produção.

O aperto financeiro não é novidade neste mês. No início de setembro, a Volkswagen fechou acordo com os sindicatos alemães para o que a CNN Brasil descreveu como "amplas demissões", parte do esforço da montadora para reequilibrar as contas em meio à desaceleração do mercado europeu e à concorrência crescente das fabricantes chinesas de elétricos.

Apesar do corte na margem, a Volkswagen mantém a expectativa de faturamento em torno de € 315 bilhões (R$ 1,8 trilhão) em 2026, ligeiramente abaixo dos € 321,9 bilhões (R$ 1,9 trilhão) registrados em 2025, segundo a AutoData.

A crise ilustra o momento delicado da indústria automotiva europeia, pressionada ao mesmo tempo pela concorrência de montadoras chinesas mais baratas, pelos custos da transição para veículos elétricos e pelas barreiras comerciais dos Estados Unidos.

Fontes consultadas nesta apuração

  • Volkswagen
  • Porsche
  • indústria automotiva
  • Alemanha
  • economia global
  • ações

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