A Rússia lançou um dos maiores ataques aéreos das últimas semanas contra a Ucrânia na madrugada desta quinta-feira (24), matando ao menos oito pessoas e ferindo outras 20. Horas depois, em Nova York, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky anunciou ter fechado um acordo para obter mais mísseis destinados aos sistemas de defesa antiaérea Patriot.
Segundo o jornal O Povo, a Rússia disparou 282 drones e uma combinação de mísseis hipersônicos e balísticos contra ao menos seis regiões ucranianas, incluindo Kiev, Kharkiv, Rivne, Volyn e Odesa. Fragmentos de drones caíram ainda em território da Moldávia e da Romênia, países vizinhos da Ucrânia e membros da União Europeia.
Do total de mortos, seis eram trabalhadores de uma propriedade agrícola na região de Kharkiv, atingida no ataque; os outros dois morreram em Kiev. Ainda segundo o levantamento, 12 pessoas ficaram feridas em Kharkiv e outras oito em Kiev.
Na capital ucraniana, um míssil atingiu as proximidades de uma maternidade, danificando a fachada, janelas e portas do prédio. O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, informou que outras nove casas, uma agência dos Correios, armazéns e dezenas de veículos também foram atingidos. Em Odesa, uma unidade de saúde e uma escola tiveram janelas quebradas pela onda de choque.
"Enquanto as pessoas dormiam, clarões das explosões iluminaram o céu", escreveu Zelensky nas redes sociais ao comentar o ataque. Ele voltou a cobrar dos Estados Unidos o envio de "interceptadores capazes de combater mísseis balísticos".
Horas depois, já em solo americano, Zelensky se reuniu em Nova York com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte. Segundo a agência ucraniana Ukrinform, o encontro aconteceu logo após a terceira onda de ataques balísticos russos contra Kiev registrada ao longo da semana.
Foi nesse contexto que Zelensky anunciou o acordo por mais mísseis Patriot. "Hoje chegámos a um acordo — não direi com quem — para o envio de mísseis para os sistemas Patriot", declarou o presidente ucraniano, segundo reportagem do site português Observador, que citou a agência Lusa. Ele não revelou qual país ou empresa está por trás da negociação.
Zelensky afirmou que a Ucrânia já aprendeu a interceptar mísseis de cruzeiro e drones russos, mas que, "contra os mísseis balísticos, por enquanto, a única solução eficaz são os intercetores Patriot", dos quais o país precisa "quase todos os dias". Ao site ucraniano UNN, ele disse ainda que "é impossível enfrentar sozinho este terror contra a vida".
De acordo com a Ukrinform, Zelensky e Rutte também discutiram um pacote de apoio para o inverno no Hemisfério Norte voltado à defesa aérea ucraniana. As partes avançam ainda no desenvolvimento do Freyja, sistema antibalístico desenvolvido com parceiros europeus, que deve ficar operacional dentro de um ano.
A guerra entre Rússia e Ucrânia já dura mais de três anos e meio desde a invasão russa, iniciada em fevereiro de 2022. Nas últimas semanas, Zelensky vinha pedindo publicamente até 300 mísseis Patriot para reforçar a defesa antiaérea do país durante o próximo inverno.